O interesse de empresas brasileiras em ter operações industriais no Paraguai tem crescido significativamente nos últimos anos. Segundo levantamento da consultoria Deloitte, o número de companhias brasileiras com unidades produtivas no país vizinho aumentou 30% entre 2020 e 2025, passando de 80 para 104 empresas.
Incentivos fiscais e custos mais baixos atraem empresas
O principal atrativo para as empresas brasileiras é o regime tributário paraguaio, que oferece alíquotas reduzidas de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e isenção de impostos sobre exportações. Além disso, o custo da mão de obra no Paraguai é cerca de 40% menor do que no Brasil, segundo dados do Ministério do Trabalho paraguaio.
"O Paraguai oferece um ambiente de negócios mais favorável para a indústria, com carga tributária reduzida e burocracia simplificada", afirma Carlos Alberto de Oliveira, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). "Isso tem levado muitas empresas brasileiras a considerar o país como uma alternativa para expandir sua capacidade produtiva."
Setores mais representativos
Os setores que mais têm investido no Paraguai são o de alimentos e bebidas, seguido pelo de plásticos e borracha, e o de metalurgia. Juntas, essas áreas respondem por 60% das empresas brasileiras instaladas no país. A cidade de Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil, concentra a maior parte dessas operações, devido à sua localização estratégica e infraestrutura logística.
"A proximidade com o mercado brasileiro é um diferencial importante", destaca Oliveira. "As empresas conseguem produzir no Paraguai com custos mais baixos e exportar para o Brasil aproveitando os acordos comerciais do Mercosul."
Desafios e perspectivas
Apesar do crescimento, as empresas brasileiras ainda enfrentam desafios no Paraguai, como a burocracia para obtenção de licenças ambientais e a falta de mão de obra qualificada em algumas regiões. No entanto, o governo paraguaio tem implementado medidas para atrair investimentos, como a criação de zonas francas e a simplificação de processos.
Para 2026, a expectativa é de que o número de empresas brasileiras no Paraguai continue crescendo, impulsionado pela busca por competitividade e pela estabilidade econômica do país. "O Paraguai se consolida como um polo industrial na América do Sul, e as empresas brasileiras estão atentas a essa oportunidade", conclui Oliveira.



