Em dezembro de 2024, Emicida lançou o álbum 'Mesmas Cores e Mesmos Valores', uma homenagem ao Racionais MCs e ao disco 'Cores e Valores' (2014). Nos meses anteriores, o rapper enfrentou momentos 'horríveis', como a morte de sua mãe, dona Jacira, e o litígio judicial com o irmão, Evandro Fióti, pela empresa Laboratório Fantasma. Agora, em entrevista ao g1, ele celebra o trabalho dos ídolos e afirma sua própria qualidade artística.
Racionais no patamar de Pelé e Pixinguinha
Emicida classifica como 'polêmica' a afirmação de que o Racionais MCs é o maior grupo de rap da história, mas defende o paralelo. 'Não é o paralelo em si, mas o tamanho da tensão que ele provoca. Quando você elogia o Racionais nesse lugar, não é que está fora de propósito. É tipo olhar um gol de barriga e olhar um gol do Pelé', disse ao Podpah. Na entrevista ao g1, ele reforçou: 'O tamanho do Racionais é o tamanho do Pelé, o tamanho do Pixinguinha, o tamanho da Nise da Silveira. Racionais precisa ser entendido dentro dessa chave.'
Novo álbum: 'difícil de ouvir' e cheio de referências
Seis meses após o lançamento, Emicida avalia a recepção do público: 'Eu fico muito feliz com a qualidade intelectual que os fãs me trazem de volta. A forma como o disco foi absorvido gerou uma experiência muito íntima porque ele tem essa dor e essa luz desenhadas de formas muito sensíveis. Para algumas pessoas, foi e é um disco difícil de ouvir. É louco isso, né? E isso não sendo entendido como um problema a ser solucionado.' Ele acrescenta que o álbum 'vai ter novidade pelos próximos 100 anos', citando a descoberta de elementos como a percussionista dona Edith do Prato.
Produção imagética e documentário
O rapper revela que está estruturando um documentário sobre o álbum: 'A gente captou tudo da produção. Estamos começando a estruturar um documentário agora. A gente tem um material muito rico na mão e, por si só, o material das gravações já é bem emocionante.' Ele também planeja ter uma presença mais cadenciada nas redes sociais, admitindo que precisa se tornar 'um criador de conteúdo melhor'.
Rap no mercado e festivais
Emicida celebra a conquista do rap no mercado, citando o exemplo de BK' que fará show em estádio. 'É o sonho de todos nós que ajudamos a carregar e construir um tijolinho dessa ponte. O tamanho que a cultura alcançou em termos de popularidade tem sido uma parada maravilhosa.' No entanto, critica a redução do espaço do rap em grandes festivais: 'Exige-se que o rap chegue lá com a Sinfônica de Paris, enquanto para outros gêneros a qualidade técnica não é um fator relevante.'
Rap legítimo e discurso conservador
Questionado sobre o crescimento de artistas de rap com discurso reacionário, Emicida aponta uma contradição: 'Os pilares que fundamentam o que essa cultura considera mais sagrado são contraditórios com muitos dos discursos desse tipo de artista.' Ele cita uma estatística sobre interpretação de texto no Brasil para contextualizar a diversidade de posições.
Inspiração para nova geração
Emicida elogia o freestyler Jotapê, que o tem como inspiração: 'Ele é um filho direto e legítimo das batalhas de freestyle. Quando colo nas batalhas, fico mais de quebradinha para não gerar muito frisson. O que o Jotapê me ofereceu foi uma perspectiva muito linda de uma geração que surge com metade da minha idade e diz: 'Mano, você e a sua geração plantaram sementes maravilhosas. Olha aqui o que essas sementes se tornaram, eu sou uma delas.''
Vida pessoal exposta e economia da atenção
Sobre a exposição de sua vida pessoal durante a briga com o irmão e a morte da mãe, Emicida afirma: 'Foi horrível, mas é uma página que já virei. Alguns amigos da indústria foram muito sábios ao entrar em contato comigo e dizer que esse tipo de coisa acontece e foge do nosso poder controlar a interpretação a respeito do nosso nome.' Ele diz que nunca foi conhecido por expor a vida pessoal e que seu estilo de criar conteúdo é rarefeito: 'Você não vai ver o que jantei hoje no meu Instagram. Periga achar lá uma foto de arruda, três páginas de livro e uma outra foto sem foco e sem ângulo direito.'
Turnê e próximos shows
A turnê 'MCMV - Emicida' passa por Curitiba em 27 de junho no Igloo Super Hall e por Porto Alegre em 4 de julho no Auditório Araújo Vianna. Ingressos à venda pela Eventim.



