Elfa prioriza medicamentos de alto valor e reduz dívida de R$ 1,7 bi
Elfa prioriza medicamentos de alto valor e reduz dívida

A distribuidora de medicamentos Elfa, controlada pelo Pátria Investimentos, iniciou uma profunda reestruturação nos últimos meses após enfrentar questionamentos do mercado devido ao elevado endividamento. A dívida bruta da companhia somava aproximadamente R$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre deste ano. A virada de negócio envolve renegociação de dívidas, reorganização do portfólio com foco em itens de maior rentabilidade e adoção de inteligência artificial (IA) para otimizar processos.

Foco em produtos de alto valor agregado

No portfólio, a Elfa agora prioriza produtos de maior valor agregado, como medicamentos oncológicos, imunológicos e biológicos. Além disso, expande áreas consideradas mais rentáveis, como dispositivos médicos, estética, diabetes e equipamentos de imagem. A intenção é melhorar o retorno sobre o capital investido (ROIC) e fortalecer a geração de caixa, segundo o diretor-presidente da Elfa, José Roberto Ferraz. O executivo afirmou que a empresa já avançou na reorganização e espera capturar os ganhos de uma operação mais enxuta e rentável.

Ferraz explicou que, no passado, a empresa passou por uma fase de crescimento acelerado, com a união de 21 empresas ao longo da última década. Agora, o grupo reduziu operações consideradas menos estratégicas e está “fazendo uma readequação ao tamanho ideal”, priorizando rentabilidade em vez de volume. A estratégia é aumentar a participação de produtos de maior valor agregado e maior retorno sobre o capital investido.

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Expansão de linhas estratégicas e internacional

A distribuidora também quer expandir linhas estratégicas, como medicamentos para diabetes e obesidade, produtos cirúrgicos em parceria com a Johnson & Johnson (J&J), equipamentos de ultrassonografia da Siemens, além de enxergar oportunidades em segmentos como atividades pulmonares e exames de imagem. Outra avenida de crescimento é a expansão de operações internacionais, após iniciativas como uma parceria com uma distribuidora na Arábia Saudita e exportações para a Colômbia. Essas iniciativas podem ser favorecidas pela experiência internacional do Pátria, que tem investimentos também no exterior.

Endividamento e renegociação

A questão do endividamento era vista como ponto crítico pelo mercado até o início do ano, levando a agência de classificação de riscos Fitch a rebaixar o rating da companhia para B-(bra), com perspectiva negativa. Na época, a agência acreditava que a empresa dependia de forma relevante de fontes alternativas para se financiar, como aportes de capital, venda de ativos ou monetização de créditos tributários, para equilibrar sua estrutura de capital. Contudo, desde então, a Elfa tem atuado para renegociar e alongar prazos. Segundo Ferraz, a Elfa já obteve aprovação de debenturistas para rever suas obrigações financeiras e mantém negociações bilaterais com credores. No balanço do primeiro trimestre, a empresa já apontava seus primeiros resultados: a dívida bruta foi reduzida em R$ 144 milhões em relação ao fim de 2025, após o reperfilamento aprovado e acordos com bancos. O executivo afirmou que os esforços continuam, com potenciais resultados positivos nos próximos trimestres.

Impacto dos juros e uso de IA

Ferraz afirmou que o ambiente de juros elevados exige uma revisão da estrutura de capital da companhia. Investimentos realizados antes e logo após a pandemia passaram a conviver com uma taxa básica de juros em torno de 15%, elevando significativamente as despesas financeiras. A prioridade é estabilizar a estrutura de capital para reduzir o impacto dos juros sobre os resultados. No primeiro trimestre, a Elfa registrou geração de caixa operacional ajustada de R$ 131 milhões, impulsionada por melhorias na gestão do capital de giro, ao mesmo tempo em que reduziu despesas operacionais em 15,1% e ampliou a margem bruta para 16,4%.

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No campo operacional, uma das principais iniciativas é o uso de inteligência artificial para aumentar a produtividade da área comercial. A empresa desenvolveu três plataformas baseadas em IA: um sistema que participa automaticamente de leilões reversos realizados por hospitais, outro que interpreta pedidos recebidos por e-mail em diferentes formatos e uma ferramenta que retoma negociações comerciais com compradores. Segundo Ferraz, essas soluções geraram aproximadamente R$ 700 milhões em negócios no ano passado e contribuíram para ampliar a capacidade da companhia de disputar contratos e elevar a eficiência operacional, em linha com a estratégia de aumentar produtividade e rentabilidade.