O Santos venceu o Vasco por 2 a 0 no jogo de ida das semifinais do Brasileirão sub-20, na Vila Belmiro, na quarta-feira. Apesar de os cariocas terem terminado a primeira fase em segundo lugar, com cinco pontos a mais que os paulistas, o Peixe construiu a vantagem no fim da partida. Na semana que vem, o jogo de volta será no Rio de Janeiro, e o Santos poderá até perder por um gol de diferença que irá pela primeira vez à decisão da competição.
O jogo: estratégia e erros
Jogando em casa e sabendo que era fundamental construir vantagem, o Santos tentou se impor desde o início. O Vasco, melhor defesa do campeonato, jogou claramente para empatar, confiando na força de São Januário no jogo de volta. Destaques santistas para os meias Vinícius Fabri e o venezuelano Profeta; pelo lado vascaíno, o goleiro Phillipe Gabriel, Zucarello e o atacante Andrey Fernandes (que disputou Sul-Americano e Mundial sub-17 no ano passado).
O jogo decidiu-se no segundo tempo, quando o Vasco foi punido por confundir estratégia com medo. Aos 20 minutos, o santista Samuel Pierri deu um carrinho, derrubou dois adversários e foi expulso. O time recuou, o Vasco passou a ter mais a bola, mas teve medo de partir para cima, preferindo segurar o empate. Isso funcionou até os 42 minutos, quando Caio Ganga, saindo do banco, bateu uma falta com perfeição e abriu o placar. Nem assim o Vasco atacou, achando que perder por um gol era reversível. Aos 50 minutos, o árbitro marcou um pênalti interpretativo, convertido pelo experiente zagueiro boliviano Contreras (que esteve com a seleção principal na repescagem mundial da Copa de 2026), fechando o placar em 2 a 0.
Estrutura da base: problemas crônicos
O resultado positivo do Santos não esconde os problemas estruturais. Por conta de gestões incompetentes, o clube não tem dinheiro para reforçar o time principal. Na Sul-Americana, o Santos não contou com Gabigol e Neymar (este ocupado em um torneio de pôquer). O técnico Cuca não teve alternativa a não ser puxar quatro jogadores do Sub-20 para a viagem à Venezuela, onde o time venceu a UCV por 4 a 1. Vinte e quatro horas depois, todos os meninos estavam na Vila Belmiro contra o Vasco — entre eles, Samuel Pierri e Nadson. "Transição de base para o time principal não deveria ser para tapar buraco", comentou o analista. "Alguém ainda não sabe por que o Palmeiras forma tantos grandes jogadores?"
A situação é dramática. A base é um ponto crucial para o Brasil voltar a ganhar uma Copa do Mundo, lembrando dos centros de formação da Espanha e da França, onde atletas entram meninos e saem craques campeões, lapidados tecnicamente e no caráter competitivo. Enquanto clubes forem dirigidos de maneira irresponsável, empilhando transfer bans, atrasando salários, trabalhando no almoço para pagar a janta, empurrando os melhores jogadores da base para as pontas porque o mercado europeu exige, formando craques sem pensar no longo prazo e vendendo-os a preço de banana para garantir a folha dos três meses seguintes, não adianta sonhar com Copa.
O que precisa mudar
A CBF precisa, para ontem, tomar as rédeas das categorias de base junto com os clubes, e incluir Carlo Ancelotti no processo. Se ficarmos achando que apenas o trabalho de excelência do italiano vai nos recolocar no topo do mundo, continuaremos, como o Santos, remando contra a maré. E seremos engolidos por ela.



