A Electrolux, fabricante sueca de eletrodomésticos, registrou um prejuízo líquido de 1,64 bilhão de coroas suecas (cerca de R$ 820 milhões) no segundo trimestre de 2026, revertendo o lucro de 200 milhões de coroas obtido no mesmo período do ano anterior. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (29) e reflete um ambiente de mercado desafiador, com demanda fraca na Europa e na América do Norte, além de custos elevados com reestruturação.
Demanda fraca e custos pesam no resultado
A receita líquida da companhia caiu 8,5% na comparação anual, para 28,4 bilhões de coroas. O segmento de eletrodomésticos da linha branca sofreu com a redução do poder de compra dos consumidores e com a normalização dos estoques após o pico da pandemia. Segundo a empresa, o volume de vendas caiu 6% no trimestre.
O prejuízo operacional (EBIT) chegou a 2,1 bilhões de coroas, contra um lucro operacional de 900 milhões de coroas um ano antes. As margens foram pressionadas por custos de matérias-primas e logística, além de despesas com o plano de reestruturação anunciado em maio, que prevê o fechamento de duas fábricas na Europa e a demissão de 3.000 funcionários.
CEO cita ambiente macroeconômico adverso
O presidente-executivo da Electrolux, Jonas Samuelson, afirmou que o resultado reflete “um ambiente macroeconômico adverso, com inflação elevada e juros altos impactando a demanda por bens duráveis”. Ele acrescentou: “Estamos tomando medidas decisivas para reduzir custos e adaptar nossa capacidade produtiva, mas a recuperação da demanda deve ser gradual.”
As ações da Electrolux caíram 4,5% na Bolsa de Estocolmo após o balanço, acumulando queda de 18% no ano. A companhia também revisou para baixo sua projeção para o mercado europeu, esperando uma contração de 3% a 5% no ano, enquanto o mercado norte-americano deve ficar estável.
Impactos do plano de reestruturação
O programa de reestruturação, que deve gerar economia anual de 4 bilhões de coroas a partir de 2028, incluiu uma provisão de 1,2 bilhão de coroas no trimestre. A empresa prevê que os efeitos operacionais comecem a aparecer no segundo semestre de 2027.
Analistas do mercado avaliam que a Electrolux enfrenta desafios estruturais, como a concorrência de marcas chinesas e a migração de consumidores para produtos mais baratos. No entanto, a forte posição de caixa da empresa (6,5 bilhões de coroas) deve permitir que ela atravesse o ciclo de baixa sem necessidade de aumento de capital.
Perspectivas para o segundo semestre
Para o restante de 2026, a Electrolux espera que a demanda permaneça fraca, com uma leve recuperação apenas no quarto trimestre, impulsionada pela temporada de festas. A empresa também investirá em inovação, com lançamentos de produtos com maior eficiência energética, visando atender às novas regulamentações europeias.



