Um relatório inédito divulgado nesta quarta-feira revela que as maiores empresas de tecnologia do mundo, incluindo Apple, Alphabet (Google) e Microsoft, acumulam uma dívida oculta estimada em US$ 165 trilhões. O valor, que supera o PIB global combinado, decorre principalmente de compromissos futuros com pensões, arrendamentos operacionais e passivos ambientais, segundo o estudo da consultoria Finance Watch.
Composição da dívida oculta
De acordo com o relatório, a maior parte desse montante (cerca de US$ 120 trilhões) está relacionada a obrigações com planos de pensão de benefício definido, que muitas empresas não registram integralmente em seus balanços. Outros US$ 30 trilhões referem-se a arrendamentos operacionais de longo prazo, enquanto US$ 15 trilhões são atribuídos a passivos ambientais, como custos de remediação de poluição e cumprimento de metas climáticas.
"Esses passivos são 'ocultos' porque as normas contábeis atuais permitem que as empresas não os reconheçam totalmente em suas demonstrações financeiras", explica Thierry Philipponnat, autor principal do relatório e economista-chefe da Finance Watch. "Isso distorce a percepção de risco por parte de investidores e reguladores."
Impacto nos investidores e na economia
O estudo alerta que essa dívida não contabilizada representa um risco sistêmico para os mercados financeiros. "Se as big techs enfrentarem dificuldades para honrar esses compromissos, o impacto poderia ser comparável ao da crise financeira de 2008", afirma Philipponnat. A Apple, por exemplo, teria uma dívida oculta de aproximadamente US$ 25 trilhões, enquanto a Alphabet e a Microsoft teriam US$ 20 trilhões cada.
O relatório também destaca que a falta de transparência dificulta a avaliação correta do endividamento real dessas empresas, potencialmente inflando seus preços de ações. "Os investidores estão comprando ações com base em informações incompletas", diz o economista.
Reações e próximos passos
As empresas citadas não comentaram o relatório até o momento. A Finance Watch recomenda que órgãos reguladores, como a Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA e a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários (ESMA), exijam a divulgação integral desses passivos nos balanços patrimoniais.
"A transparência é essencial para a estabilidade financeira", conclui Philipponnat. "Sem ela, estamos caminhando para uma bolsa de valores baseada em ilusões contábeis."



