O diretor de operações da Vert Analytics, Rolando Bonaccorsi, detalhou em entrevista ao Valor Econômico o custo real da indisponibilidade em contratos de tecnologia. Segundo ele, muitas empresas subestimam as perdas financeiras e operacionais causadas por falhas em sistemas críticos.
Impactos financeiros da indisponibilidade
Bonaccorsi afirmou que, para cada hora de paralisação, as empresas podem perder milhões de reais. Ele citou um estudo da Vert Analytics que mostra que o custo médio por minuto de indisponibilidade em setores como finanças e saúde pode chegar a R$ 50 mil. "Em contratos de tecnologia, é crucial mensurar não apenas o valor do serviço, mas o impacto real nos negócios do cliente", explicou.
Contratos e métricas
O executivo destacou que a maioria dos contratos de SLA (Service Level Agreement) não reflete adequadamente o custo da indisponibilidade. "As métricas tradicionais, como uptime de 99,9%, não consideram a criticidade de cada sistema. Uma falha de 30 minutos em um sistema de pagamentos pode ser mais danosa do que horas em um sistema interno", disse.
Bonaccorsi recomendou que as empresas adotem métricas baseadas em impacto nos negócios, como perda de receita, produtividade e danos à reputação. Ele também sugeriu a inclusão de cláusulas de compensação proporcionais ao dano real.
Casos reais e lições
Ele citou o exemplo de uma grande varejista que sofreu uma paralisação de duas horas em seu e-commerce durante a Black Friday. "A perda foi estimada em R$ 12 milhões, mas o contrato previa apenas uma multa de R$ 100 mil. Isso mostra o desalinhamento entre o valor do serviço e o custo real", afirmou.
Para Bonaccorsi, a solução passa por uma maior transparência e colaboração entre provedores e clientes. "É preciso criar contratos que incentivem a confiabilidade e penalizem adequadamente as falhas, mas também que permitam investimentos em prevenção", concluiu.



