Conta de luz elevada desafia competitividade da indústria brasileira
Conta de luz elevada desafia competitividade da indústria

Embora o Brasil possua uma das matrizes elétricas mais limpas e competitivas do mundo, consumidores e empresas enfrentam tarifas de energia desproporcionalmente altas. Essa foi a principal conclusão de executivos e especialistas reunidos no meet point “Energia na indústria: desafios, sinergia e visão de futuro”. Para eles, o problema não reside no custo da geração, mas no acúmulo de encargos, subsídios e regras regulatórias que inflam as contas de luz.

O paradoxo da energia barata e da conta cara

“O Brasil é um país da energia barata e da conta cara”, sintetizou Paulo Pedrosa, presidente da Abrace, associação que representa grandes consumidores de energia elétrica e gás natural. Segundo ele, a formação das tarifas incorporou uma série de mecanismos de proteção e subsídios que hoje representam uma parcela significativa da fatura. “Esses mecanismos estão custando quase o mesmo que a energia em si”, afirmou.

Para o setor produtivo, a preocupação central está nos critérios utilizados nos modelos de precificação. Pequenas alterações nesses parâmetros podem representar milhões de reais de diferença nos custos das empresas, impactando diretamente a competitividade.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O peso dos encargos e subsídios

A crítica central é que o sistema embute um “seguro” excessivamente caro contra crises de abastecimento, considerando cenários extremos de seca e redução dos reservatórios. Pedrosa comparou a situação à contratação de um seguro de automóvel: “É como comprar um seguro de R$ 50 mil com franquia zero quando existe outro de R$ 5 mil com franquia de R$ 1 mil. O Brasil acabou de contratar 20 mil megawatts de termelétricas. Elas estão lá para dar segurança caso aconteça um problemão. Então podemos pagar um pouco menos pela energia”, completou.

Impacto na cadeia produtiva e inflação

Para a indústria, a discussão vai além do setor elétrico. O custo da eletricidade é repassado ao longo das cadeias produtivas, pressionando a inflação e reduzindo a competitividade da economia como um todo. Cleverton Borchardt, gerente de Geração de Energia da Camil, destacou que a energia está entre os custos mais relevantes para empresas com margens apertadas. “Um mês mal performado pode comprometer o resultado do ano inteiro”, disse. Segundo ele, a volatilidade dos preços dificulta o planejamento e aumenta a insegurança para investimentos.

Novos eletrointensivos: data centers e IA

Pedro Kurbhi, vice-presidente de Trading, Varejo e Planejamento Energético da Comerc Energia, ressaltou que as mudanças no modelo são cruciais não apenas para a indústria tradicional, mas também para atrair novos grandes consumidores, como data centers e empreendimentos de inteligência artificial. “Esse é o novo eletrointensivo. O Brasil pode ser um player relevante nessa indústria, mas precisa resolver questões relacionadas a encargos, infraestrutura e custo da energia”, afirmou.

Os especialistas concordam que a revisão dos encargos e subsídios é urgente para que o país possa aproveitar seu potencial energético e manter a indústria competitiva em um cenário global cada vez mais desafiador.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar