O segmento de habitação de baixa renda continua sendo a principal aposta dos investidores no setor de construção civil brasileiro, de acordo com o Itaú BBA. Em encontros realizados no Rio de Janeiro e em São Paulo, a preferência por nomes como Cury (CURY3), Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3) se destacou, apoiada pela resiliência operacional e fortes retornos aos acionistas. O banco ressalta que, embora o mercado apresente oportunidades pontuais de valuation em outros segmentos, a postura dos investidores segue seletiva, especialmente nos nichos de média e alta renda.
Baixa renda domina discussões e atrai investidores
O Itaú BBA observou que o segmento de baixa renda dominou as conversas com investidores, com ênfase em empresas que demonstram solidez operacional. Cury, Tenda e Direcional foram citadas como principais exposições, beneficiando-se de um ambiente de custos mais estável e de retornos atrativos. Apesar de preocupações com riscos regulatórios e de financiamento, o banco aponta que os sinais de estabilidade em insumos e mão de obra reduziram a apreensão com custos nesse segmento.
Cyrela ganha protagonismo no médio e alto padrão
No segmento de média e alta renda, a Cyrela (CYRE3) ganhou destaque, embora sua tese de investimento dependa de uma reprecificação ligada ao cenário macroeconômico. O Itaú BBA nota que persistem dúvidas sobre acessibilidade e demanda, especialmente em São Paulo, o que mantém os investidores cautelosos. Apesar disso, a Cyrela é vista como um nome de qualidade que pode se beneficiar de uma eventual melhora nas condições econômicas.
Mercado de shoppings divide opiniões entre investidores
Em relação ao setor de shoppings centers, o relatório do Itaú BBA aponta uma divisão clara entre os investidores. Hedge funds tendem a preferir a Allos (ALOS3), atraídos pelo elevado dividend yield e perfil de retorno. Já os investidores long only priorizam a Multiplan (MULT3), destacando a qualidade do portfólio e o potencial de crescimento de lucros com o apoio da reforma tributária. Essa dicotomia reflete diferentes estratégias e horizontes de investimento.
Safra reforça preferência por Direcional e vê valor em Cury e Tenda
O Banco Safra também se posiciona de forma otimista em relação ao segmento de baixa renda, com a Direcional Engenharia (DIRR3) como principal preferência. O banco destaca a menor exposição a choques inflacionários da empresa, apoiada em um mix mais concentrado em estoques prontos e ganhos de eficiência ainda a serem capturados. Com as ações cerca de 30% abaixo dos picos recentes, o Safra projeta múltiplo de 5,4 vezes o lucro ajustado para 2027 e um dividend yield de 13%, considerados atrativos frente ao risco.
Para a Cury, o Safra vê a empresa bem posicionada, embora com maior exposição a custos. No entanto, a empresa conta com proteção relevante por meio de uma carteira de recebíveis indexada à inflação, que cobre cerca de 75% dos custos do backlog. Esse fator pode ser compensado por crescimento de receitas e diluição de despesas administrativas. O múltiplo projetado é de 5,8 vezes o lucro ajustado, mesmo considerando um cenário mais conservador para margens.
A Tenda, por sua vez, destoou do restante do setor, com alta de 37% no ano, apoiada por resultados acima do esperado e revisões positivas de lucro. O segmento principal da companhia mostra maior capacidade de lidar com inflação, devido ao ciclo de construção mais curto e maior nível de provisões. Ainda assim, a ação negocia a 4,7 vezes o lucro projetado para 2027, com desconto relevante frente às principais concorrentes.
Plano&Plano e MRV: cautela e riscos
O Safra mantém uma visão mais cautelosa para a Plano e Plano (PLPL3). As estimativas de lucro foram reduzidas em 31% para 2026 e 2027, refletindo vendas mais fracas e pressão sobre margens. Mesmo após queda de 35% no ano, o valuation segue atrativo, mas a menor visibilidade limita o apelo no curto prazo. Já a MRV Engenharia (MRVE3), apesar da melhora operacional, enfrenta a alavancagem como principal fator de risco. Custos mais elevados podem pressionar margens, enquanto o processo de desalavancagem da Resia tende a ser mais longo, com risco de novos ajustes contábeis. O desconto em valuation não é considerado suficiente para justificar uma visão mais construtiva, segundo o Safra.



