O CEO do Grupo MM, Marcio Pauliki, alerta que a maior ameaça ao varejo brasileiro não vem mais dos concorrentes tradicionais, mas de novos tipos de consumo que disputam a renda das famílias. Em entrevista ao programa Do Zero ao Topo, do InfoMoney, Pauliki citou as apostas esportivas (bets) e as canetas emagrecedoras como exemplos de despesas que antes não faziam parte do orçamento doméstico e agora consomem uma fatia significativa da renda.
Bets tiram R$ 212 por mês das famílias de classe C
Segundo o executivo, as plataformas de apostas esportivas retiram, em média, R$ 212 por mês de cada família de classe C no Brasil. “O pessoal me pergunta: ‘Mas quem são os novos concorrentes?’ Eu não falo aqui que posso citar as grandes redes, nem a Casas Bahia, nem a Magalu, nem Americanas, nem as grandes redes regionais. Mas é a Bet, que tira média de R$ 212 por família hoje aqui no Brasil de classe C”, disse Pauliki.
Além das bets, outro fenômeno recente que passou a disputar espaço no orçamento doméstico são as canetas emagrecedoras, medicamentos para perda de peso que ganharam popularidade. “As canetas emagrecedoras estão tirando também um bom valor do mercado”, afirmou o CEO. Para ele, o desafio do varejo não é apenas vender mais, mas entender como o consumidor reorganizou suas prioridades.
Grupo MM fatura R$ 2 bilhões e tem mais de 230 lojas
Com faturamento superior a R$ 2 bilhões, o Grupo MM nasceu no interior do Paraná e atua nos segmentos de móveis, eletrodomésticos, eletrônicos, tecnologia e serviços. A empresa conta com mais de 230 lojas físicas distribuídas entre Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul, além de operação nacional via canais digitais e atacado.
Pauliki destacou que o poder de compra das famílias não diminuiu, mas a renda passou a ser dividida com novos tipos de despesas. “Não é que o poder de compra tenha diminuído. As famílias passaram a dividir a renda com novos tipos de despesas, que antes não faziam parte do orçamento”, explicou.
Prioridade é preservar caixa e cortar R$ 30 milhões em despesas
Diante desse cenário, a prioridade do Grupo MM é preservar caixa e controlar despesas. Pauliki afirmou que o momento econômico exige mais disciplina do que crescimento acelerado. A empresa pretende expandir cerca de 10% ao ano, mas evitando excesso de alavancagem. “Crescer a qualquer custo, porque tem uma meta? Não. Queremos crescer com rentabilidade”, afirmou.
A companhia também espera cortar despesas para preservar margens. “Nós temos uma meta este ano de reduzir em R$ 30 milhões as nossas despesas fixas. Revisar contrato, aluguéis e tudo que a gente puder revisitar”, concluiu o CEO.
O episódio completo com Marcio Pauliki está disponível no programa Do Zero ao Topo, em vídeo no YouTube e em versão de podcast nas principais plataformas de streaming, como Apple Podcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.



