Crescimento impulsionado por fundos gigantes
A captação de recursos por fundos de private equity cresceu 25% no segundo trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 180 bilhões globalmente. O avanço foi puxado por grandes players como Blackstone, Carlyle e KKR, que juntos responderam por mais de 40% do total captado.
De acordo com dados da Preqin, consultoria especializada, o número de fundos que atingiram a meta de captação também aumentou, com 78 fundos fechando acima de US$ 1 bilhão cada, ante 62 no segundo trimestre de 2025. O tamanho médio dos fundos cresceu 15%, para US$ 890 milhões.
Estratégias de alocação e setores preferidos
Os investidores institucionais, como fundos de pensão e seguradoras, têm demonstrado apetite por estratégias de buyout e growth equity, que oferecem retornos potencialmente mais altos em um cenário de juros estabilizados. O setor de tecnologia foi o mais visado, concentrando 35% dos novos compromissos, seguido por saúde (20%) e energia (15%).
"A concentração em grandes players reflete a busca por segurança e track record em um ambiente macroeconômico ainda incerto", afirmou Maria Silva, analista da Preqin, em nota. "Os investidores estão preferindo alocar capital com gestores que já demonstraram capacidade de gerar retornos consistentes."
Impacto no mercado e perspectivas
O aumento da captação deve impulsionar o volume de fusões e aquisições nos próximos trimestres, já que os fundos precisam investir o capital comprometido. Estima-se que o dry powder global de private equity atinja US$ 2,5 trilhões até o final do ano, um recorde histórico.
No entanto, especialistas alertam para a competição acirrada por ativos de qualidade, o que pode pressionar as avaliações. "O risco de overpaying é real, especialmente em setores como tecnologia, onde os múltiplos já estão elevados", disse João Santos, professor de finanças da FGV.
Apesar dos desafios, a perspectiva para o setor segue positiva, com previsão de crescimento de 10% a 15% na captação total em 2026, impulsionada pela demanda por alternativas de rendimento em um ambiente de juros baixos em economias desenvolvidas.



