A Braskem já apresentou aos credores detentores de títulos de dívida emitidos pela companhia no exterior uma proposta para alongamento por cinco anos desses compromissos, apurou a Coluna. No desenho inicial e de onde partem as conversas formais entre a empresa e seus credores, a companhia ainda propôs uma redução de 2 pontos porcentuais no cupom (juro) dessa dívida. A companhia somava, ao fim do primeiro trimestre de 2026, uma dívida bruta de US$ 9,4 bilhões (R$ 48,6 bilhões pelo câmbio atual). Desse montante, a dívida em moeda estrangeira representava 91%.
Além disso, a Braskem menciona o pagamento de juros no modelo conhecido como PIK, ou seja, com bonds (títulos de dívida externa) adicionais, ao invés de dinheiro, durante dois anos. Isso implica que, em troca de não pagamento de juros por dois anos, uma taxa maior será paga posteriormente, porque os credores terão mais bonds em mãos, explicou uma fonte. “É um ponto de partida para negociar”, disse outra fonte, que confirmou que a companhia já começou a marcar reuniões formais com os detentores de bonds para buscar a suspensão dos vencimentos.
As fontes adicionaram que os credores externos estariam fazendo pressão para um alongamento menor da dívida, por período de três anos, e a manutenção do juro atual. As conversas formais, no entanto, começam agora, com representantes da IG4 Capital, gestora que assumiu na última quarta-feira o controle da petroquímica, anteriormente nas mãos da Novonor (ex-Odebrecht).
Empresa deve pedir proteção
A expectativa é de que a Braskem entre na Justiça com um pedido de proteção contra cobranças (stand still) no máximo no final deste mês, para negociar um plano de recuperação extrajudicial. Dessa forma, a Braskem deixará de pagar US$ 141 milhões de juros em julho, referente a cinco bonds, e US$ 36 milhões em agosto. Depois do pedido de recuperação extrajudicial, a Braskem terá mais 90 dias para apresentar um plano fechado com adesão de 50% mais 1 dos credores.
A alavancagem da companhia está em 16,81 vezes (dívida líquida/Ebitda dos últimos 12 meses) e a intenção, de acordo com fontes, é reduzir para a casa de um dígito ao longo do tempo. Para analistas que acompanham a situação, a empresa vive uma condição de liquidez muito grave e um plano de reestruturação que não envolva corte de sua dívida - como o que está sendo aventado inicialmente - pode não ser sustentável. Os preços dos bonds subiram no mercado de dívida, mas para uma fonte existe um otimismo cego de que a companhia poderá se beneficiar da alta temporária nos spreads (diferença entre o preço da matéria-prima e o dos produtos petroquímicos) por conta da guerra no Oriente Médio. “A verdade é que, a empresa voltará a queimar caixa e as métricas de crédito vão piorar”, disse a fonte do mercado.
Nova estratégia
“Os credores terão de ter paciência para que sejam implementadas medidas de reestruturação capazes de melhorar receita, Ebitda (resultado operacional) e margem, de modo sustentável”, disse uma fonte próxima às negociações. A Coluna apurou que a otimização de suas plantas e a concentração em produtos rentáveis são parte da estratégia da nova gestão para melhorar a posição financeira da companhia, assim como dentro mercado petroquímico.
A transição do uso de nafta para o gás na produção, assim como a ampliação da oferta do chamado plástico verde, que a última gestão nomeava como “switch to gas and fly up to green”, também estão na base das novas diretrizes da Braskem. Segundo fontes, com foco na comercialização de produtos mais rentáveis, a Braskem pode descontinuar parte de sua linha de produtos. Entretanto, a proposta não é fechar fábricas. A ideia é analisar cada uma das 40 plantas e otimizar a produção. Também não está no radar a venda de ativos, com exceção daqueles que não estão em seu principal negócio. “Existem outras formas de gerar liquidez e a otimização das plantas é uma delas”, disse uma das fontes.
A venda de ativos vem sendo descartada pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que agora também preside o Conselho de Administração da Braskem. “Essa administração da Petrobras não gosta de vender, só gosta de comprar”, disse em maio a investidores sobre a Braskem. Procurada, a Braskem não comentou.



