Jean-Charles Naouri, controlador do Grupo Casino, e Philippe Bompard, presidente do conselho de administração, estão em uma batalha nos bastidores que pode definir o futuro da varejista francesa. A disputa, que se arrasta há meses, ganhou novos capítulos nas últimas semanas, com trocas de acusações e manobras societárias.
Origens do conflito
O embate começou após a divulgação dos resultados do primeiro semestre de 2026, que mostraram uma dívida líquida de € 3 bilhões, acima das projeções do mercado. Naouri, que detém 52% das ações com direito a voto, acusa Bompard de gestão negligente e de não apresentar um plano de reestruturação viável. Em reunião fechada, Naouri disse: 'Não posso aceitar que a empresa seja levada à ruína por decisões erradas'.
Estratégias e pressões
Bompard, por sua vez, defende que a dívida é fruto de anos de aquisições mal calculadas sob a gestão de Naouri. Em comunicado interno, o presidente afirmou: 'Precisamos de uma nova direção para restaurar a confiança dos investidores'. A pressão aumenta com a entrada de fundos ativistas, que já adquiriram 15% do capital e pedem uma assembleia extraordinária para destituir Naouri.
Impactos e próximos passos
A disputa pode levar a uma reestruturação profunda, com venda de ativos ou até mesmo uma oferta pública de aquisição. Analistas estimam que o desfecho deve ocorrer até o fim do ano, com impacto direto no valor das ações, que caíram 12% no último mês. O setor varejista francês observa atento, já que a Casino é uma das maiores empregadoras do país, com 50 mil funcionários. Naouri já sinalizou que não se afastará sem luta, enquanto Bompard busca apoio entre os acionistas minoritários.



