As maiores petrolíferas europeias reportaram um aumento expressivo nos lucros do segundo trimestre de 2026, impulsionado pela alta do petróleo acima de US$ 80 o barril. A Shell, maior empresa do setor na Europa, registrou lucro líquido de US$ 9,8 bilhões, alta de 42% em relação ao mesmo período de 2025. A TotalEnergies teve lucro de US$ 7,2 bilhões, crescimento de 38%, enquanto a BP apresentou lucro de US$ 5,1 bilhões, avanço de 35%. A alavancagem medida pela relação dívida líquida sobre capitalização caiu para 18% na Shell, ante 22% no trimestre anterior, e para 16% na TotalEnergies, contra 19%.
Fatores que impulsionaram os resultados
O barril do Brent, referência global, fechou o trimestre a US$ 84,70, com média de US$ 82,30 no período, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). A demanda aquecida, especialmente da Ásia, e cortes de produção da Opep+ sustentaram os preços. “O ambiente de preços elevados e a disciplina de custos permitiram que as empresas gerassem caixa recorde”, afirmou o analista sênior do setor de energia do Bank of America, Lucas Martins. As margens de refino também contribuíram, com a média de US$ 12,50 por barril na Europa, acima dos US$ 9,80 do ano anterior.
Redução da alavancagem e retorno aos acionistas
Com o fluxo de caixa robusto, as empresas aceleraram o pagamento de dívidas e aumentaram a remuneração aos acionistas. A Shell anunciou a recompra de US$ 4,5 bilhões em ações no trimestre e elevou o dividendo em 15%. A TotalEnergies recomprará US$ 3,2 bilhões em ações e a BP, US$ 2,1 bilhões. “Estamos comprometidos em devolver valor aos acionistas enquanto mantemos uma estrutura de capital sólida”, disse o CFO da Shell, Sinead Gorman, em teleconferência com investidores. A alavancagem média do setor caiu de 22% para 17% no trimestre, segundo dados compilados pela consultoria Wood Mackenzie.
Perspectivas para o segundo semestre
Para o terceiro trimestre, as empresas projetam investimentos de capital entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões cada, focados em projetos de baixo carbono e renovação de ativos de petróleo e gás. A AIE prevê que o petróleo se mantenha acima de US$ 80 até o fim de 2026, sustentado por restrições de oferta. No entanto, riscos como a desaceleração econômica na China e a possibilidade de aumento da produção da Opep+ podem pressionar os preços. “O cenário é favorável, mas a volatilidade permanece”, alertou o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, durante a divulgação dos resultados.



