O aumento expressivo nos preços dos chips de memória, que subiram 60% nos últimos seis meses, está encarecendo eletrônicos e reduzindo as vendas globais do setor. De acordo com a consultoria IDC, as vendas de dispositivos como smartphones, notebooks e tablets caíram 12% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. A alta dos componentes é atribuída à concentração da produção em poucos fabricantes asiáticos e ao crescimento da demanda por inteligência artificial.
Impacto nos preços ao consumidor
Os fabricantes repassaram parte do aumento de custos para o consumidor final. Smartphones de entrada tiveram reajuste médio de 15%, enquanto notebooks e tablets registraram alta de até 20%. "A indústria está sendo forçada a aumentar preços, o que reduz o poder de compra e desacelera o mercado", afirma Marcos Oliveira, analista da IDC. Ele ressalta que a situação deve se manter até o fim de 2026, com possível estabilização apenas no início de 2027.
Demanda por IA pressiona oferta
Os chips de memória, especialmente os do tipo DRAM e NAND, são essenciais para servidores de inteligência artificial. A corrida das grandes empresas de tecnologia por infraestrutura de IA elevou a demanda em 40% neste ano, segundo dados da SEMI, associação global da indústria de semicondutores. "A demanda por IA está consumindo grande parte da capacidade de produção de memória, deixando menos oferta para eletrônicos de consumo", explica Oliveira. A Samsung e a SK Hynix, principais fabricantes mundiais, operam no limite de sua capacidade.
Consequências para o mercado brasileiro
No Brasil, a alta dos chips agravou a inflação de eletrônicos. O preço médio de smartphones subiu 18% no primeiro semestre, segundo o IBGE. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) estima que as vendas de computadores e periféricos cairão 10% neste ano. "O consumidor brasileiro já sofre com impostos elevados; agora, a alta dos componentes reduz ainda mais o acesso à tecnologia", diz Humberto Barbato, presidente da Abinee. A entidade projeta que o setor só se recupere em 2027, com a entrada de novas fábricas de chips no mercado.
Perspectivas e desafios
Para conter a crise, governos de países como Estados Unidos e União Europeia anunciaram subsídios para a construção de fábricas de semicondutores. No entanto, essas unidades levam anos para ficar prontas. "A curto prazo, não há solução mágica. O mercado continuará apertado", conclui Oliveira. A recomendação da IDC para consumidores é adiar compras não urgentes, pois os preços devem começar a cair no segundo semestre de 2027.



