O cantor e compositor pernambucano Afroito anunciou, na quinta-feira (30), que desistiu do financiamento coletivo que buscava arrecadar R$ 1 milhão para comprar um casarão no Recife e quitar dívidas de aluguel. A decisão foi publicada em um vídeo no Instagram, após uma semana de forte repercussão nacional sobre o valor estipulado na campanha.
Na gravação, o artista explicou que a medida foi tomada para proteger pessoas próximas, que passaram a ser alvo de preocupação e medo diante da dimensão que a história alcançou. Ele afirmou que a intenção inicial era apenas conversar com seu público habitual e oferecer contrapartidas, como vinis e ingressos, mas a campanha fugiu do controle.
Reações e ataques
Afroito relatou que a viralização do vídeo resultou em comentários graves. "Está gerando um pânico e um medo nas pessoas próximas. Muita gente está preocupada comigo. Por esses motivos e por outros, vou desistir do financiamento coletivo. Deu lugar a uma enxurrada de xenofobia e racismo, que fica feio até de assistir", disse o cantor.
Ele também destacou que, apesar dos ataques, recebeu mensagens de apoio e carinho de novos seguidores. "Não vale a pena pelo todo. Foi uma publicidade muito grande, né? Espero que, quando eu lançar música, também tenha esse interesse todo da imprensa", completou.
O artista ironizou as críticas e afirmou que, por ser uma pessoa pública, "seleção natural é uma coisa comum" e que "às vezes os artistas vão ter movimentos que parte do público e das pessoas vão concordar, ou não". Ele também se dirigiu aos futuros espectadores: "Me parece que agora quando eu for cantar vai ter muito mais gente do que de costume. Estou de braços abertos a receber todas as pessoas. Espero que vocês não joguem o tomate em mim, porque eu sou muito sensível, tá certo? E que vocês me acompanhem da maneira que for possível".
Os números da campanha
A vaquinha foi aberta no dia 20 de julho e teria duração de 50 dias. Em apenas dez dias de crowdfunding, Afroito conseguiu pouco mais de R$ 9 mil, o que correspondia a menos de 1% da meta estabelecida. O valor total de R$ 1 milhão seria dividido da seguinte forma: R$ 800 mil para a compra do imóvel, enquanto o restante cobriria taxas, multas e a dívida acumulada de aproximadamente R$ 50 mil referente a seis meses de aluguéis não pagos.
Nas redes sociais, o cantor havia contado que decidiu morar na casa que pretendia adquirir por ser um espaço adequado para suas atividades profissionais. No momento de ascensão da carreira, ele investiu em um aluguel de R$ 5 mil mensais. Porém, sem previsão de novos shows, o pagamento ficou atrasado.
Defesa do financiamento coletivo
Afroito reiterou que o estranhamento do público e da imprensa nacional se deu pelo valor da cifra e pelo uso da ferramenta "vaquinha" para a compra de um imóvel. Ele defendeu que o financiamento coletivo é uma prática comum no meio artístico e que a repercussão negativa surpreendeu até mesmo a ele.
O cantor, que é natural do Recife e tem como um dos trabalhos mais recentes o álbum "Menga", publicado no Spotify, encerrou a participação no crowdfunding sem atingir a meta. Apesar da desistência, ele afirmou que pretende seguir com a carreira e que espera manter o interesse do público em seus próximos lançamentos.
A polêmica levantou discussões sobre os limites do financiamento coletivo no Brasil e sobre a reação das redes sociais a iniciativas desse tipo. Enquanto alguns apoiaram a causa, muitos questionaram a proporção entre o valor pedido e a quantia já arrecadada. Afroito, por sua vez, preferiu recuar e priorizar a segurança emocional de quem está ao seu redor.
O caso também reacendeu o debate sobre como artistas recorrem a plataformas de financiamento para sustentar projetos pessoais. Para o pernambucano, a prática é legítima, mas a exposição inesperada mostrou que nem sempre o público está disposto a apoiar valores considerados altos. Com a campanha encerrada, resta aguardar os próximos passos do cantor em sua trajetória musical.



