Admar Lopes revela impactos da crise judicial no mercado do Vasco
Admar Lopes: crise judicial afeta mercado do Vasco

O diretor de futebol do Vasco, Admar Lopes, concedeu coletiva de imprensa no CT Moacyr Barbosa e abordou os desafios impostos pela instabilidade judicial da SAF nas negociações de mercado. Após a apresentação do lateral Paulinho e do técnico Pedro Emanuel, o dirigente afirmou que a incerteza gerada pelo afastamento do presidente Pedrinho atrapalhou os planos do clube.

Incerteza jurídica impacta contratações

O clube vivia sob intervenção judicial até sexta-feira, quando nova decisão derrubou a liminar que afastava Pedrinho. Com isso, o presidente do clube associativo voltou ao conselho de administração da SAF. Admar Lopes destacou a dificuldade de planejar sem saber o futuro: "Eu, como diretor de futebol do Vasco, não sabia se iríamos ficar um dia, uma semana, um mês, um ano sem presidente e obviamente, como devem imaginar, causa uma incerteza muito grande."

Ele frisou que, durante o afastamento de Pedrinho, não participou de nenhuma decisão. "Como vocês podem imaginar, um diretor de futebol que não pode falar do presidente, não facilita absolutamente nada. Mas vocês, como são ótimos jornalistas e ótimos investigadores, podem perguntar ao mercado, podem perguntar aos empresários, aos jogadores, aos treinadores, se ajuda num convencimento de apresentar um projeto esportivo e uma estabilidade institucional."

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Vasco agirá com cautela na janela

Em busca de reforços, o Vasco trabalha com cautela. Há negociação com Marcos Lamacchia para venda de 90% da SAF, mas Admar Lopes afirmou que ainda não considera esse dinheiro disponível. "O que foi passado pela diretoria, pelo conselho de administração, pelo presidente e por todo mundo que está acima, primeiro, uma vontade muito grande em tentar melhorar a equipe, e nós estamos atentos ao mercado. E segundo, estrategicamente, até por questões financeiras, orçamentárias e institucionais, foi pedido para esperar um pouquinho num determinado momento e que nós não iremos ser muito agressivos neste primeiro momento da janela."

O dirigente pediu paciência à torcida: "Não esperem compras de jogadores de uma prateleira muito alta, de 20, 30 milhões, o Vasco não vai ficar rico do dia para a noite, simplesmente pode haver um reajuste financeiro que pode ser benéfico para a nossa estratégia na janela, não esquecendo que a janela é longa e termina no dia 10 de setembro."

Projeto esportivo além do orçamento

Apesar das limitações financeiras, Admar Lopes garantiu que o Vasco tem atrativos além do dinheiro. Ele citou o peso da camisa, a projeção nacional e o compromisso com pagamentos. "Desde que o presidente Pedrinho assumiu, não falhamos em absolutamente nada, cumprimos financeiramente tudo aquilo que nos propomos, estamos numa transição e numa evolução em termos de infraestrutura, já foi investido próximo de 30 milhões de reais neste CT, nesta sala que nós estamos a ver."

Ele também destacou a capacidade de alavancar carreiras, como no caso de Rayan na seleção brasileira. "É uma camisa muito pesada, todas estas questões, quando se apresentam o projeto, pesam."

Bastidores da contratação de Pedro Emanuel

Admar Lopes revelou que Pedrinho não participou das negociações com o técnico português devido ao afastamento judicial. "Todo o processo de negociação e de entrevistas foi feito pelo departamento de futebol, majoritariamente por mim e pelo Filipe, porque o presidente estava ausente. Ele não participou em nada durante a negociação."

Ele explicou que Pedro Emanuel estava em uma lista definida após a saída de Renato Gaúcho. "O Pedro foi contratado num perfil de técnico que nós definimos, e ele também participou nessa escolha nesse perfil. É uma escolha do departamento de futebol, mas desde o dia um em que nós chegamos ao treinador, o perfil está bem definido dentro dos requisitos que nós queríamos para este momento."

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Saída de Renato Gaúcho

O dirigente também comentou a saída repentina de Renato Gaúcho, que deixou o cargo em 18 de junho. Ele relembrou a coletiva após derrota por 3 a 0 para o Bragantino, quando ele e o capitão Thiago Mendes assumiram a palavra no lugar do ex-técnico. "Como diretor de futebol, desde o primeiro dia até a assinatura de uma rescisão, estou com meu treinador até à morte. Aquele momento era um momento complicado, ninguém queria reagir com a cabeça quente. Refletiu-se internamente, o departamento de futebol juntamente com a diretoria e chegamos com a conclusão de que era melhor mudar planos em relação ao projeto esportivo."