O balanço do segundo trimestre de 2026 expõe uma clara polarização de forças entre os diferentes segmentos do mercado brasileiro. Enquanto grandes conglomerados reportam crescimento robusto, pequenas e médias empresas enfrentam contração, segundo dados divulgados pela Consultoria XYZ nesta quarta-feira (29). O levantamento abrangeu 250 companhias de capital aberto e fechado.
Gigantes Avançam com Apoio do Mercado Externo
As 50 maiores empresas do país, com faturamento acima de R$ 5 bilhões, registraram alta média de 15% no lucro líquido em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho foi puxado por setores como commodities e tecnologia. "A demanda externa sustentou os preços do minério de ferro e da soja, beneficiando as gigantes exportadoras", destacou a analista-chefe da consultoria, Maria Silva, em entrevista coletiva. O faturamento combinado dessas companhias atingiu R$ 320 bilhões, um recorde para o período.
PMEs Enfrentam Juros Altos e Queda no Consumo
Por outro lado, as empresas com receita inferior a R$ 300 milhões apresentaram recuo de 8% no lucro médio. O endividamento elevado e a taxa Selic em 14,5% ao ano comprimem as margens. "O crédito caro sufoca os pequenos negócios, que dependem mais do mercado interno", afirmou Silva. A inadimplência entre as PMEs saltou de 4,2% para 6,1% no trimestre, segundoo estudo. O setor de serviços foi o mais afetado, com queda de 12% nos resultados.
Setores em Destaque: Mineração e Varejo
A mineração liderou os ganhos, com alta de 22% no lucro, impulsionada pela valorização do minério de ferro na China. Já o varejo presencial sofreu com a concorrência digital e a inflação de alimentos: as redes de supermercados tiveram retração de 5% no EBITDA. Em contraste, o comércio eletrônico cresceu 18%, concentrando-se nas grandes plataformas. "A digitalização acelerada cria um fosso entre quem investiu em tecnologia e quem ficou para trás", completou a analista.
Impactos na Bolsa e Perspectivas
A polarização reflete-se na B3: o índice Ibovespa subiu 3,2% no trimestre, puxado por ações de grandes empresas, enquanto o índice de small caps caiu 2,5%. "O mercado precifica a resiliência dos grandes grupos e o risco das menores", avaliou o economista João Pereira, da Universidade de São Paulo. Para o segundo semestre, a consultoria projeta manutenção da tendência, salvo mudanças na política monetária. "Se a Selic cair, as PMEs podem respirar, mas a recuperação será lenta", concluiu Silva.
O levantamento completo será publicado no relatório trimestral da Consultoria XYZ, disponível a partir da próxima semana. Os dados reforçam a necessidade de políticas focadas em crédito e inovação para pequenos negócios.



