Oportunidade supera salário na escolha de emprego entre jovens
Oportunidade supera salário na escolha de emprego entre jovens

Uma pesquisa inédita revela que, para a maioria dos jovens brasileiros, a oportunidade de crescimento e aprendizado pesa mais que o salário na hora de escolher um emprego. O levantamento, realizado pelo Instituto Locomotiva em parceria com a consultoria IDados, ouviu 2 mil pessoas entre 18 e 30 anos em todas as regiões do país entre março e abril de 2026.

Oportunidade versus remuneração

Segundo o estudo, 68% dos entrevistados afirmaram que a possibilidade de desenvolver novas habilidades e ter um plano de carreira é o fator mais importante na decisão profissional. Apenas 32% apontaram o salário como principal critério. “O jovem de hoje busca propósito e desenvolvimento, não apenas um contracheque no fim do mês”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

Entre os que priorizam oportunidade, 45% citaram a chance de aprender na prática como o maior atrativo, enquanto 23% valorizam a possibilidade de ascensão rápida. Já entre os que focam no salário, 71% disseram que precisam de uma remuneração maior para ajudar nas despesas familiares.

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Geração e contexto econômico

A pesquisa também mostrou diferenças por faixa etária. Entre os jovens de 18 a 24 anos, 73% preferem oportunidade; na faixa de 25 a 30 anos, esse índice cai para 62%. “Quanto mais velho, mais as responsabilidades financeiras pesam”, explica Meirelles.

O estudo ainda aponta que 54% dos jovens aceitariam um salário menor em troca de mais aprendizado e flexibilidade. Esse percentual sobe para 61% entre os que estão no primeiro emprego. “As empresas que oferecem programas de desenvolvimento e mentoria têm mais chance de atrair e reter talentos dessa geração”, completa o presidente do Locomotiva.

Impacto para empresas e políticas públicas

Para especialistas, os dados indicam uma mudança de paradigma no mercado de trabalho. “As companhias precisam repensar suas estratégias de atração, investindo em carreiras estruturadas e capacitação”, diz Carla Souza, analista da IDados. Ela ressalta que a pesquisa pode orientar políticas públicas de emprego jovem, como a ampliação de programas de aprendizagem e estágio.

O levantamento também revelou que 47% dos jovens já recusaram uma oferta de emprego por considerar que o cargo não oferecia perspectivas de crescimento. “O jovem está disposto a esperar pela oportunidade certa, mesmo que isso signifique ficar mais tempo desempregado”, observa Meirelles.

Com a taxa de desemprego entre jovens em 18,5% no primeiro trimestre de 2026, segundo o IBGE, a pesquisa sugere que ações focadas em desenvolvimento podem ser mais eficazes do que simplesmente aumentar salários para reduzir o desemprego nessa faixa etária.

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