Geração Z troca de emprego a cada 1,1 ano em busca de novas habilidades
Geração Z troca de emprego a cada 1,1 ano

Brittany Harris-Nelson, de 32 anos, compara sua trajetória profissional à de "um sapo pulando de uma vitória-régia para outra". Nos últimos dez anos, ela passou por dez empregos em seis universidades diferentes, até chegar ao cargo administrativo de nível intermediário na Universidade Wake Forest, na Carolina do Norte (EUA). "Cada passo me aproximou do lugar onde eu queria chegar, mesmo que o caminho nem sempre tenha sido linear", afirma.

O que é 'lily padding'?

Especialistas identificaram uma nova tendência entre a geração Z (nascidos entre 1997 e 2012): o lily padding, expressão que significa "pular de galho em galho". Jovens adultos trocam de emprego com frequência para desenvolver novas habilidades e aumentar as chances de conquistar cargos mais altos e salários melhores, em vez de permanecer por muito tempo na mesma empresa.

Segundo pesquisa global de 2024 da consultoria Randstad com 11.250 trabalhadores, nos cinco primeiros anos de carreira, um profissional da geração Z permanece, em média, 1,1 ano em cada emprego, ante 1,8 ano entre os millennials e quase três anos entre as gerações mais velhas.

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Dados no Brasil

No Brasil, dados do Ministério do Trabalho e Emprego de junho de 2024 mostram que 1 em cada 4 trabalhadores de 25 a 29 anos permanece menos de um ano no mesmo emprego. Entre os de 18 a 24 anos, a proporção sobe para 38,2%. Os motivos: 36% saíram porque tinham outro emprego em vista e igual parcela deixou o emprego por causa do baixo salário.

Impacto nos salários

No Reino Unido, um relatório de 2025 da Wealthify mostrou que quem trocou de emprego quatro vezes ou mais na década anterior ganhava, em média, 39,3 mil libras (cerca de R$ 269,8 mil) por ano, contra 30,1 mil libras (aproximadamente R$ 206,7 mil) dos demais trabalhadores — diferença de 31%.

Adam Smiley Poswolsky, hoje com 42 anos, palestrante e escritor, é um exemplo. Ele transitou entre os setores público, sem fins lucrativos, criativo e corporativo ao longo de 15 anos, incluindo funções como líder de projetos no Peace Corps, professor de inglês na Universidade de Harvard e pesquisador de locações para a Warner Bros. "Em cada mudança de emprego, eu sabia que estava pronto para um novo desafio, mas também tinha clareza sobre quais habilidades levaria de uma experiência para a outra", afirma.

Mudança de mentalidade

Nicola Grant, diretora de pessoas da seguradora britânica Hiscox, observa que profissionais — especialmente os no início da carreira — querem acumular experiências variadas em menos tempo. "As expectativas mudaram. As pessoas querem variedade, dinamismo e desenvolver habilidades que continuem relevantes no futuro", afirma. "No fim das contas, é um desejo de crescer."

Lucy Kemp, líder de estratégia de marca e comunicação na empresa de tecnologia La Fosse, afirma que o lily padding é o futuro do trabalho. "Os jovens perceberam que a lealdade à empresa nem sempre compensa. Eles querem construir a própria carreira com base nas habilidades que consideram importantes", diz. Kemp acrescenta que, desde a pandemia, o aprendizado informal no escritório diminuiu, e muitos profissionais buscam competências que serão importantes daqui a cinco anos.

Brittany Harris-Nelson resume sua visão: "Vejo minha carreira como uma jornada contínua, e não como um destino final. Estou sempre aprendendo e evoluindo."

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