O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu manter o leilão da marca Nutrella, mesmo após a Bimbo, controladora da empresa, ter atrasado o processo de desinvestimento. A decisão foi tomada em julgamento nesta quarta-feira (21) e visa garantir a concorrência no mercado de pães industrializados.
Contexto do desinvestimento
A Bimbo, gigante mexicana do setor de panificação, havia se comprometido a vender a Nutrella como condição para a aprovação da compra da Wickbold, em 2024. O prazo inicial para a conclusão da venda era junho de 2026, mas a empresa não cumpriu o cronograma, alegando dificuldades operacionais.
Segundo o relator do caso, conselheiro Gustavo Augusto, a Bimbo apresentou justificativas, mas o Cade entendeu que o atraso não justifica a suspensão do leilão. "A manutenção do leilão é essencial para evitar danos à concorrência", afirmou Augusto durante a sessão.
Impacto no mercado
A Nutrella é uma das marcas mais tradicionais de pães no Brasil, com presença nacional. A venda forçada visa evitar que a Bimbo concentre grande fatia do mercado, o que poderia elevar preços e reduzir opções para o consumidor. Especialistas apontam que o leilão deve atrair interessados, como a própria Wickbold, que já demonstrou disposição para readquirir a marca.
O leilão está marcado para setembro de 2026, e o Cade determinou que a Bimbo pague multa diária de R$ 100 mil enquanto não cumprir a obrigação. A empresa ainda pode recorrer da decisão.



