O mercado financeiro acusa o governo Lula de reeditar as 'pedaladas fiscais' que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff, com despesa primária real crescendo 14% no primeiro quadrimestre e dívida oculta em crédito subsidiado. Em artigo contundente, o gestor regulado afirma que Lula 'olhou para o abismo e pisou fundo', ignorando as consequências fiscais.
Consenso do mercado sobre deterioração fiscal
O BTG Pactual, por meio dos economistas Mansueto Almeida e Samuel Pessôa, classificou a situação como 'reedição da desastrosa Nova Matriz Econômica'. A XP estimou as medidas fiscais e parafiscais em pelo menos R$ 200 bilhões. O Brazil Journal usou o termo 'pedaladas', ecoando a análise do autor.
O gráfico de crescimento real do gasto público desde FHC mostra que os três maiores picos ocorreram nos governos Lula 1, Lula 2 e Lula 3. No segundo mandato, o gasto cresceu quase 10% ao ano.
A conta que sempre fica para o sucessor
Segundo o autor, Lula gastou e deixou a conta para Dilma, que 'não foi vítima' e inaugurou o método das pedaladas fiscais em 2014, atrasando repasses do Tesouro a bancos públicos para maquiar as contas. O procurador descreveu a intenção como 'melhorar artificialmente as contas públicas em ano eleitoral'. Michel Temer e Jair Bolsonaro, com Paulo Guedes, tiveram que conter os gastos após o impeachment.
O padrão se repete: 'Lula gasta. Outro paga. Lula volta.' O autor afirma que Lula aprendeu que a fatura nunca chega em seu endereço.
Nova versão das 'pedaladas'
Segundo Marcos Mendes, pesquisador do Insper, apenas 4% das despesas têm impacto direto no resultado primário; os outros 96% ficam fora do arcabouço fiscal. O BTG calcula que o estoque de crédito subsidiado cresceu R$ 275 bilhões, perto de 2% do PIB. 'É a pedalada de Dilma, agora industrializada', afirma o autor.
Impostos maiores, dívida maior
A carga tributária atingiu recorde de 32,4% do PIB em 2025, com arrecadação federal de quase R$ 2,9 trilhões. Mesmo assim, o déficit cresce. O Brasil bateu recorde de empresas em recuperação judicial: 2.466 companhias, o pior da série histórica. Havia 8,7 milhões de CNPJs negativados em janeiro. Os juros futuros estão no maior patamar desde 2015.
O autor conclui que a estratégia visa a reeleição em 2026, com medidas como isenção de imposto, subsídio a combustíveis (R$ 20 bilhões) e nova tributação de dividendos que antecipa caixa para 2026, com restituição em 2027.
Onde estão os fiscais?
O TCU abriu auditoria, mas não produziu resposta capaz de interromper a engrenagem. 'As instituições que deveriam acender o alarme escolheram o silêncio', escreve o autor.
A ironia final: se Lula se reeleger, pela primeira vez ele mesmo herdará a bomba que armou, sem sucessor para ejetar. 'A conta já chegou. A única dúvida é se, finalmente, o motorista estará dentro do veículo na hora da batida.'



