O ex-diretor do Banco Central e atual estrategista do BTG Asset Management, Tiago Berriel, fez duras críticas ao impulso fiscal do governo, que, segundo ele, 'desfaz o sacrifício da política monetária' e dificulta a redução da taxa de juros. Em análise sobre a economia brasileira para 2024, Berriel destacou que o mercado deve operar com cautela diante de 'diversos choques', incluindo a desorganização das cadeias produtivas após o conflito no Oriente Médio.
Choques econômicos e riscos iminentes
Berriel enumerou uma série de fatores que pressionam a economia: a guerra entre Estados Unidos e Irã, a desorganização das cadeias produtivas globais, a política fiscal expansionista do governo brasileiro e fenômenos climáticos como o El Niño. Para ele, esses elementos criam um cenário de incertezas que exige cautela dos investidores.
Impacto fiscal sobre a inflação
O estrategista alertou que o pacote de estímulo fiscal de R$ 215 bilhões, previsto para um ano eleitoral, compromete diretamente os esforços do Banco Central no controle da inflação. 'Esse impulso fiscal desfaz o sacrifício da política monetária, aumentando a inflação e dificultando qualquer movimento de corte de juros', afirmou Berriel. Ele ressaltou que a política monetária já vinha atuando de forma contracionista para conter a alta de preços, mas a expansão fiscal neutraliza parte desse efeito.
Mercado em alerta
Diante desse quadro, Berriel recomenda que os agentes econômicos mantenham posições defensivas. 'O mercado vai operar com cautela, monitorando cada novo dado e decisão de política econômica', disse. Ele também destacou que a combinação de estímulo fiscal com choques externos pode elevar a inflação acima das metas, forçando o BC a manter os juros elevados por mais tempo.
O ex-diretor do BC concluiu que, sem um ajuste fiscal mais consistente, o país corre o risco de perder a credibilidade conquistada com o regime de metas de inflação. 'É preciso que o governo sinalize um compromisso claro com a sustentabilidade fiscal, caso contrário, o custo do dinheiro continuará alto', finalizou.



