Dólar sobe a R$ 4,85 com temor fiscal e exterior negativo
Dólar sobe a R$ 4,85 com temor fiscal e exterior negativo

O dólar comercial encerrou a sessão desta quinta-feira (22) em alta de 1,2%, cotado a R$ 4,85, refletindo o aumento da aversão ao risco nos mercados globais e as preocupações com o cenário fiscal brasileiro. A moeda norte-americana oscilou entre R$ 4,79 e R$ 4,86 ao longo do dia, acompanhando o movimento de fortalecimento do dólar no exterior e a percepção de risco fiscal doméstico.

Fatores externos pressionam o câmbio

No cenário internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de seis moedas principais, subiu 0,3%, para 97,5 pontos. Dados econômicos mais fortes nos Estados Unidos, como vendas no varejo e pedidos de auxílio-desemprego abaixo do esperado, reforçaram a expectativa de que o Federal Reserve mantenha os juros elevados por mais tempo, o que beneficia a moeda americana.

Além disso, a queda nos preços das commodities, especialmente do petróleo e do minério de ferro, impactou negativamente as moedas de países emergentes, como o real. O barril de petróleo tipo Brent recuou 1,5%, para US$ 75,30, enquanto o minério de ferro caiu 2,1% no mercado à vista chinês.

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Risco fiscal doméstico pesa no real

Internamente, o mercado monitora de perto as discussões sobre o arcabouço fiscal. O governo federal ainda não apresentou uma proposta definitiva para as regras fiscais, o que gera incerteza entre os investidores. Segundo analistas do Banco ABC Brasil, "a falta de clareza sobre o novo regime fiscal mantém o real sob pressão, especialmente em um cenário de juros globais elevados".

Na véspera, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reiterou que a instituição está atenta à evolução das expectativas de inflação e que a política monetária continuará sendo ajustada conforme necessário. As declarações não foram suficientes para acalmar os ânimos do mercado.

Fluxo cambial e expectativas

O fluxo cambial total do Brasil na semana até o dia 16 de julho foi negativo em US$ 1,2 bilhão, segundo dados do Banco Central. No mês, o saldo acumulado está negativo em US$ 2,8 bilhões, o que contribui para a pressão de alta do dólar.

Para o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, "o real deve continuar volátil nas próximas semanas, com o mercado aguardando definições sobre a política fiscal e os próximos passos do Fed". Ele projeta que a moeda americana pode oscilar entre R$ 4,70 e R$ 5,00 no curto prazo.

Impacto nos mercados

A alta do dólar também pressionou o mercado de ações. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em queda de 0,8%, aos 119.500 pontos, com perdas generalizadas. As ações de empresas exportadoras, como Vale e Petrobras, caíram acompanhando a queda das commodities.

No mercado de juros futuros, as taxas subiram, com o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 passando de 13,25% para 13,35% ao ano, refletindo o maior prêmio de risco.

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