Dólar cai 1% e real se destaca com inflação dos EUA abaixo do esperado
Dólar cai 1% e real se destaca com inflação dos EUA

O dólar fechou em queda de 1% nesta terça-feira (14), cotado a R$ 5,20, enquanto o real se destacou entre as principais moedas emergentes. O movimento foi impulsionado pela divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que veio abaixo das expectativas do mercado.

Inflação americana surpreende para baixo

O CPI de junho nos EUA registrou alta de 0,1% em relação a maio, contra previsão de 0,2%. Na comparação anual, o índice subiu 3,0%, abaixo do esperado de 3,1% e do dado anterior de 3,3%. A inflação núcleo, que exclui alimentos e energia, ficou em 0,1% no mês (ante 0,2% esperado) e 3,3% em 12 meses (ante 3,4% esperado).

Segundo analistas, o resultado reforça a percepção de que o Federal Reserve (Fed) pode iniciar cortes nos juros ainda neste ano. “O dado de inflação mais fraco dá ao Fed mais confiança para começar a flexibilizar a política monetária”, afirmou o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal.

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Real lidera ganhos entre emergentes

Com o cenário externo mais favorável, o real foi a moeda que mais se valorizou entre as principais divisas de países emergentes, com alta de 1,2% contra o dólar. O peso mexicano subiu 0,8% e o rand sul-africano, 0,5%. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, caiu 0,4%.

O mercado de juros futuros também reagiu: a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 10,65% para 10,55%, enquanto o DI para janeiro de 2029 recuou de 11,20% para 11,05%.

Impacto no cenário doméstico

A queda do dólar ajuda a conter a inflação no Brasil, ao baratear importações e aliviar pressões sobre combustíveis e alimentos. O Banco Central, que vem mantendo a Selic em 10,50% ao ano, pode ganhar mais espaço para cortar juros caso o movimento cambial se sustente.

“A combinação de inflação americana baixa e real forte é positiva para o Brasil, mas é preciso cautela com o cenário fiscal interno”, ponderou a estrategista de câmbio do BTG Pactual, Paula Magalhães.

O volume negociado no mercado à vista de câmbio foi de US$ 2,1 bilhões, acima da média diária de US$ 1,8 bilhão, indicando maior participação de investidores estrangeiros.

Perspectivas

Para os próximos dias, analistas esperam que o dólar teste o piso de R$ 5,15, dependendo dos próximos indicadores econômicos dos EUA, como o PPI (índice de preços ao produtor) e as vendas no varejo. Se a tendência de desaceleração da inflação americana for confirmada, o real pode continuar se valorizando.

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