O Banco Central surpreendeu ao reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, mesmo diante de uma piora nas projeções de inflação, tanto do mercado quanto de seu próprio modelo. A decisão, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), destaca a flexibilidade do sistema de meta contínua, que não exige o cumprimento anual da meta de inflação de 3%.
Flexibilidade da meta contínua
Com um 'coponês' afiado, o BC justificou o corte argumentando que a meta contínua permite avaliar a inflação ao longo de um horizonte mais amplo, e não apenas no ano calendário. Dessa forma, mesmo com expectativas de inflação acima da meta para 2026 e 2027, a autoridade monetária optou por um afrouxamento gradual.
Projeções em alta
As projeções de inflação para os próximos anos pioraram significativamente. O mercado elevou suas estimativas, e o próprio modelo do BC passou a prever um IPCA mais alto no curto prazo. Apesar disso, a maioria dos membros do Copom entendeu que a política monetária restritiva atual pode levar a inflação abaixo da meta no primeiro trimestre de 2028.
Incerteza e cautela
A decisão foi tomada em um ambiente de elevada incerteza, com fatores domésticos e externos pressionando os preços. O BC destacou que a cautela continua sendo necessária, mas que a flexibilidade da meta contínua oferece espaço para ajustes graduais na política de juros.
A nova composição do Copom, com Gabriel Galípolo na presidência do BC, também influenciou a decisão. Galípolo tem defendido uma abordagem mais pragmática, considerando o horizonte de médio prazo para a convergência da inflação à meta.



