À medida que as novas gerações assumem decisões patrimoniais de suas famílias, cresce também o interesse por criptomoedas, uma tendência que já vem transformando a dinâmica do mercado financeiro. O tema esteve no centro do painel “Criptoativos com consciência: como separar hype de estratégia”, realizado nesta terça-feira (2) durante o Fin4She Summit.
Estudo do Bank of America revela mudança geracional
Um estudo do Bank of America (BofA), publicado em junho de 2024 e apresentado no painel, mostrou que as gerações Millennial e Z estão cada vez mais olhando além dos mercados tradicionais de ações e títulos para construir riqueza. Entre os investidores mais jovens, de 21 a 43 anos, 72% acreditam que já não é possível obter retornos acima da média investindo apenas em ativos tradicionais, como ações e títulos de renda fixa. Entre os investidores com mais de 44 anos, apenas 28% compartilham dessa visão.
Quase metade (49%) dos investidores jovens já possui criptomoedas, enquanto outros 38% demonstram interesse em investir nesse mercado. Eles apontam os criptoativos como uma das principais oportunidades de crescimento patrimonial, ficando atrás apenas dos investimentos imobiliários. O estudo contou com 1.007 participantes dos Estados Unidos.
Fatores que impulsionam a adoção
Segundo Felipe Whitaker, diretor de Wealth Management do Mercado Bitcoin, além da questão geracional, fatores como a digitalização econômica e o declínio da confiança em bancos centrais ao redor do mundo têm impulsionado a adoção de criptoativos.
Embora suscetível à volatilidade, Whitaker destaca o potencial de valorização das criptomoedas. Nos últimos 5 anos, o bitcoin valorizou mais de 80%, ainda que acumule queda de 30% em 2026. Questionado sobre a possibilidade de a cripto perder totalmente o valor, o executivo descartou esse cenário. “É impossível o bitcoin ir a zero, não existe essa possibilidade. Sempre haverá alguém que enxergará uma oportunidade. Bitcoin não é moda, mas sim uma nova reserva de valor”, afirmou.
Diferenciação entre ativos sólidos e especulação
Já Ana Luiza Fan, fundadora e CEO da Ana Fan Soluções Digitais, ressaltou a importância de diferenciar os ativos com fundamentos sólidos daqueles criados apenas para especulação. “Há criptomoedas que são desenvolvidas para tirar dinheiro dos investidores e acabam descredibilizando o mercado de criptomoedas. É preciso selecionar quais ativos valem a pena”, alertou.
Além de selecionar os ativos e distinguir oportunidades de longo prazo de apostas puramente especulativas, Fan orienta os investidores a destinarem apenas uma pequena parcela do portfólio às criptomoedas, devido à alta volatilidade, mesmo diante do potencial de rentabilidade.



