O Bitcoin (BTC) opera estável nesta quarta-feira (20), sustentando o patamar de US$ 64 mil, impulsionado por fortes entradas em fundos de índice (ETFs) à vista negociados nos Estados Unidos. Contudo, a alta nos preços do petróleo e as renovadas preocupações com a inflação global limitam o potencial de valorização da criptomoeda.
ETFs impulsionam demanda institucional
Dados da Bloomberg indicam que os ETFs de Bitcoin à vista registraram entrada líquida de US$ 480 milhões apenas na terça-feira (19), o maior volume em mais de um mês. O movimento é liderado pelo fundo da BlackRock (IBIT), que captou US$ 260 milhões no período. Segundo analistas do CoinDesk, a demanda institucional segue forte, com investidores de longo prazo acumulando posições.
“A entrada consistente em ETFs mostra que o interesse institucional pelo Bitcoin não diminuiu, apesar da volatilidade recente”, afirmou James Butterfill, chefe de pesquisa da CoinShares. “Isso fornece um piso sólido para o preço.”
Petróleo em alta pressiona inflação
No entanto, o avanço do Bitcoin é limitado pelo mercado de commodities. O petróleo Brent subiu 1,8% nesta quarta, para US$ 87,50 o barril, após dados mostrarem queda nos estoques nos EUA e tensões geopolíticas no Oriente Médio. A alta do petróleo alimenta temores de que a inflação permaneça elevada, forçando os bancos centrais a manter juros altos por mais tempo.
“O Bitcoin tem se correlacionado negativamente com o petróleo nas últimas semanas”, destacou o estrategista do banco suíço UBS, James Malcolm. “Se o petróleo continuar subindo, pode prejudicar o apetite por risco e limitar os ganhos do BTC.”
Perspectiva técnica e resistências
Do ponto de vista técnico, o Bitcoin enfrenta resistência imediata em US$ 65 mil, com suporte em US$ 62 mil. O índice de força relativa (RSI) está em 55, indicando espaço para alta antes de entrar em território de sobrecompra. Caso o BTC rompa US$ 65 mil, a próxima meta é US$ 68 mil, segundo analistas da TradingView.
O mercado de criptomoedas como um todo também reflete o cenário misto. O Ethereum (ETH) sobe 0,5%, para US$ 3.420, enquanto a capitalização total do setor gira em torno de US$ 2,4 trilhões.
Impacto macroeconômico
O cenário macroeconômico segue sendo o principal fator de curto prazo para o Bitcoin. A divulgação do PIB dos EUA no segundo trimestre, na próxima semana, e a reunião do Federal Reserve (Fed) em julho devem ditar os próximos movimentos. Atualmente, o mercado precifica 90% de chance de manutenção dos juros na faixa de 5,25% a 5,50%.
Para o analista da plataforma de criptomoedas Bitget, Ryan Lee, “o Bitcoin está em uma encruzilhada: se os dados de inflação vierem mais baixos, pode disparar; caso contrário, pode testar novamente o suporte de US$ 60 mil.”



