O Brasil registrou em junho o maior volume de importação de produtos baratos dos últimos dez anos, impulsionado pela queda nas tarifas de importação implementada no início do ano. Segundo dados do Ministério da Economia, o valor total das importações de bens de consumo com preço reduzido atingiu US$ 4,5 bilhões, um aumento de 35% em relação ao mesmo mês de 2025.
Detalhes da queda de taxação
A redução das alíquotas do Imposto de Importação, que entrou em vigor em janeiro de 2026, abrangeu mais de 2 mil itens, incluindo eletrônicos, vestuário e utensílios domésticos. A medida, parte de uma reforma tributária mais ampla, cortou as tarifas médias de 15% para 8%.
O secretário de Comércio Exterior, Carlos Alberto Moreira, afirmou: "A redução das tarifas foi planejada para estimular a concorrência e beneficiar o consumidor final, e os números de junho confirmam esse objetivo."
Impacto no consumidor
Com a entrada de mais produtos importados a preços menores, os consumidores brasileiros passaram a ter acesso a itens como smartphones, roupas e brinquedos com descontos de até 25% em relação ao ano anterior. A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) registrou uma queda média de 12% nos preços desses produtos em junho.
No entanto, a indústria nacional expressou preocupação com a concorrência desleal. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Jorge Lima, declarou: "Embora o consumidor se beneficie no curto prazo, a indústria local pode sofrer com a perda de competitividade se a medida não for acompanhada de políticas de incentivo à produção interna."
Recorde histórico
O volume de US$ 4,5 bilhões supera o recorde anterior de maio de 2019, quando as importações de bens baratos atingiram US$ 4,2 bilhões. Analistas atribuem o crescimento não apenas à queda de taxação, mas também à valorização do real frente ao dólar, que tornou as compras externas mais atrativas.
O economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, destacou: "A combinação de câmbio favorável e tarifas menores criou um ambiente propício para o aumento das importações. Isso deve continuar nos próximos meses, desde que não haja mudanças na política cambial ou tributária."
Perspectivas futuras
O governo sinalizou que novas reduções tarifárias podem ser anunciadas ainda neste ano, especialmente para insumos industriais e matérias-primas. A expectativa é que a medida ajude a conter a inflação, que fechou junho em 3,8% ao ano, dentro da meta do Banco Central.
Por outro lado, o Ministério da Economia monitora os efeitos sobre a balança comercial. Em junho, o déficit na conta de bens de consumo foi de US$ 1,2 bilhão, o maior desde 2022. O secretário Moreira afirmou que o governo está atento: "Vamos acompanhar os dados mensalmente e, se necessário, ajustar as alíquotas para garantir equilíbrio entre os interesses do consumidor e da indústria."



