Ibovespa fecha em alta de 1,88% aos 177 mil pontos com alívio no risco global
Ibovespa sobe 1,88% com melhora do risco global

O Ibovespa fechou em alta firme nesta quinta-feira, 30, recuperando com folga a queda do dia anterior. O índice avançou 1,88%, encerrando aos 177.158,86 pontos, na máxima do dia, enquanto a mínima foi de 173.885 pontos (estável). Na semana, o Ibovespa acumula alta de 1,79%; em julho, de 2,98%; e no ano de 2026, sobe 9,95%. O giro financeiro da Bolsa foi de R$ 22,7 bilhões.

Mercados globais e alívio no risco

A melhora geral do sentimento de risco nos mercados globais impulsionou o índice. O apetite ao risco enfraqueceu o dólar ante as demais moedas e estimulou o avanço das ações na Europa e em Nova York. O Dow Jones fechou com alta de 1,19%, o S&P 500 valorizou 1,67% e o Nasdaq, 2,78%. O real também se fortaleceu, com o dólar caindo quase 1%, a R$ 5,06.

Segundo a economista-chefe da B.Side Investimentos, Helena Veronese, os mercados passaram por um alívio no risco de aperto monetário pelo Federal Reserve após o índice de preços dos gastos com consumo (PCE) de junho vir em linha com as previsões. “A mesma coisa que derrubou os índices ontem hoje ajudou”, afirmou, referindo-se ao discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, e aos votos dissidentes de três diretores por um aumento do juro, que trouxeram cautela na véspera.

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Veronese ponderou que “um único dado” não dissipa todas as preocupações sobre a inflação, mas deu um pouco de tranquilidade de que o Fed pode não ser tão duro. “Não é que o cenário lá está tranquilo, mas foi um bom dia seguinte.”

Inflação no Brasil e expectativas de queda da Selic

No Brasil, o mercado ampliou as apostas de queda da Selic após dados de inflação mais benignos. Na terça-feira, o IPCA-15 de julho veio abaixo das expectativas, e nesta quinta-feira o IGP-M caiu 1,16% em julho, mais intensa do que a mediana da pesquisa Projeções Broadcast (-1,03%). “Não há dúvida de que Selic vai cair na semana que vem”, disse a economista. Isso respaldou ganhos principalmente das ações cíclicas, que figuraram entre as maiores altas.

Cogna ON (COGN3) disparou 5,48%, Magazine Luiza ON (MGLU3) subiu 5,46% e Cury ON (CURY3) avançou 5,37%. Totvs ON (TOTS3) ganhou 5,74%, e Motiva ON (MOTV3) subiu 5,16% após divulgar lucro líquido ajustado de R$ 663 milhões no segundo trimestre, alta de 67%.

Setor financeiro e commodities

A melhora das expectativas para juros nos EUA e no Brasil atraiu fluxo para os carros-chefe do Ibovespa, como commodities e setor financeiro. Os bancos, que ontem haviam sofrido com o tombo de mais de 7% das units do Santander (SANB11), hoje tiveram desempenho misto. Itaú Unibanco PN (ITUB4) subiu 2,20%, Banco do Brasil ON (BBAS3) avançou 1,97%, enquanto Santander Brasil Unit recuou 1,48% e Bradesco PN (BBDC4) perdeu 0,22%. O Bradesco anunciou na quarta-feira aumento de capital de até R$ 10 bilhões.

Os papéis de commodities avançaram. Petrobras ON (PETR3) fechou em alta de 2,19% e PN (PETR4) subiu 2,00%, descoladas da queda dos preços do petróleo. O movimento foi impulsionado pelo fluxo externo e pela perspectiva favorável de que o reservatório do campo de Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, seja alcançado nas primeiras semanas de agosto. Vale ON (VALE3) subiu 1,39%, superando a queda do minério de ferro e a influência negativa do balanço da Rio Tinto.

Destaques negativos e balanços

Usiminas PNA (USIM5) caiu 9,25%, liderando as perdas do Ibovespa, apesar de lucro líquido de R$ 428,2 milhões no segundo trimestre de 2026 (ante R$ 127,6 milhões um ano antes). Ambev ON (ABEV3) subiu 0,38%, revertendo queda, após reportar lucro líquido de R$ 3,47 bilhões no segundo trimestre, avanço de 24,5%. Vale divulga balanço após o fechamento do mercado.

Dados da Reuters e Estadão Conteúdo complementam a reportagem.

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