Ibovespa cai com tarifa dos EUA e inflação no radar; Vale e Petrobras recuam
Ibovespa cai com tarifa dos EUA e inflação no radar

O Ibovespa opera sem força nesta terça-feira, 21, após fechar em baixa de 0,20% na segunda, aos 173.371,35 pontos, acumulando quatro quedas consecutivas. A alta das bolsas em Nova York e do petróleo não é suficiente para animar o índice, que enfrenta uma agenda esvaziada de indicadores no Brasil e no exterior. O foco do mercado está no tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e nas pesquisas eleitorais.

Ibovespa oscila com Treasuries e juros futuros

Após abrir estável em 173.372,46 pontos, o Ibovespa renovou a máxima em 173.719,50 pontos (+0,20%) antes de cair. A piora coincidiu com a aceleração dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos, elevando os juros futuros no Brasil. Às 11h37, o índice cedia 0,50%, na mínima de 172.510,17 pontos. Vale (VALE3) caía 0,43% e Petrobras (PETR3;PETR4), em torno de 1%.

Inflação e petróleo no radar

Preocupações com a inflação global seguem no radar, em meio à alta do petróleo devido à falta de acordo entre EUA e Irã. O Brent sobe cerca de 2%, a US$ 91 o barril. Isso tende a dificultar o trabalho da política monetária mundial, inclusive no Brasil. Leonardo Moura, CEO da Robbin, diz ter uma percepção cautelosa quanto a novos cortes de juros no Brasil: “A curva de juros está mais flat, em parte esperando a dinâmica eleitoral. A inflação não está cedendo tanto. Na ponta, vemos um varejo mais fraco e um consumo, também, com alguns dados não captando isso”, afirma.

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Tarifa de 25% dos EUA entra em vigor na quarta

No foco desta terça está a tarifa adicional de 25% sobre milhares de produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos, que entra em vigor na quarta-feira (22). O governo federal começa a ouvir os setores afetados. Ao mesmo tempo, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou que, em apenas dois meses de vigência do acordo Mercosul-União Europeia (UE), as exportações brasileiras para os europeus cresceram R$ 10 bilhões, um aumento de 26% em comparação ao mesmo período de 2025.

Para os mercados, a questão das tarifas não mexe, pois o efeito real na atividade e na balança comercial pode não ser robusto, diz João Ferreira, sócio da One. “É mais pelo noticiário em si. Além do mais, o País busca outros parceiros”, afirma.

Pesquisas eleitorais mostram Lula à frente

Divulgada nesta terça-feira, a pesquisa Indexa mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a disputa presidencial com 41% das intenções de voto, contra 30% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Já na pesquisa RealTime Big Data, Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 42% de Flávio. Apesar da vantagem no primeiro turno, Lula empata tecnicamente com Flávio e Ronaldo Caiado em um eventual segundo turno.

De acordo com Ferreira, da One, o tema da eleição ainda não influencia totalmente os ativos, mas isso pode acontecer mais à frente, à medida que forem definidos os candidatos oficialmente. “Lula à frente é preocupação para o mercado, por questões fiscais. A partir do mês que vem as pesquisas podem afetar”, diz.

Fluxo estrangeiro positivo em julho

Apesar da indefinição do Ibovespa nesta terça e das quedas recentes, o mês de julho tem sido marcado pela retomada da entrada de capital externo na Bolsa brasileira, com saldo positivo de R$ 2,351 bilhões na primeira quinzena. Segundo analistas, parte deve-se a uma correção e outra fração a fundamentos, como espaço para novo corte de 0,25 ponto porcentual na Selic em agosto pelo Banco Central.

Conforme William Jackson, economista-chefe de Mercados Emergentes da Capital Economics, é plausível que haja mais fluxo estrangeiro para o Brasil no curto prazo, dado que o País é – em termos líquidos – um beneficiário de preços mais altos de energia. “Os principais riscos são se o conflito no Oriente Médio se intensificar a um ponto em que haja aversão a risco de uma maneira mais ampla, ou se houver mais medidas de estímulo pré-eleições que levantem preocupações sobre o quadro fiscal”, diz Jackson.

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