As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a terça-feira com altas modestas, após operarem com leves baixas pela manhã e se reaproximarem da estabilidade. O movimento ocorreu em um cenário de liquidez reduzida, dúvidas sobre o conflito no Oriente Médio e avanço dos rendimentos dos Treasuries.
Comportamento das taxas
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,14%, com elevação de 1 ponto-base ante o ajuste de 14,126% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,65%, com alta de 5 pontos-base ante 14,601%.
Cenário geopolítico e impacto nos mercados
Uma alta autoridade do Irã disse à Reuters na segunda-feira que Teerã havia recebido uma proposta dos mediadores para um cessar-fogo de dez dias com os EUA, em um esforço para salvar o acordo provisório entre os dois países. O ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, também solicitou ao Paquistão que retomasse seu papel de mediador no conflito. A nova tentativa diplomática foi bem recebida pelos mercados por um lado, mas novos ataques dos EUA no sul e no oeste do Irã reduziram o otimismo por outro.
O dólar à vista encerrou a sessão de segunda-feira com baixa de 0,42%, aos R$ 5,0896. Ainda que os índices de ações tenham subido nos EUA, puxados pelo setor de tecnologia, o petróleo Brent se firmou em alta e os rendimentos dos Treasuries ganharam força durante a manhã, impactando os DIs.
Liquidez reduzida e agenda esvaziada
Profissional ouvido pela Reuters chamou a atenção para os “volumes baixíssimos” negociados na sessão, em um período de férias de meio de ano que costuma afetar as mesas de operação. A agenda de indicadores econômicos esvaziada no Brasil e nos EUA também contribuiu para a liquidez menor.
Expectativas para a Selic
Ao mesmo tempo, os preços de mercado seguiram mostrando os investidores posicionados para um corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, mas divididos sobre o encontro de setembro do Copom. Na última sexta-feira, a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 78% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, contra 18,98% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,25%. Para setembro, os percentuais eram de 50% para novo corte de 25 pontos-base e 47% para manutenção.
Mercado externo
No exterior, às 16h33, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — subia 3 pontos-base, a 4,626%.



