As taxas do Tesouro Direto abriram em forte alta nesta segunda-feira (20), após uma nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã ao longo do fim de semana. O petróleo chegou a operar acima de US$ 90 por barril na abertura, reacendendo os alertas inflacionários que já vinham pressionando o mercado desde a semana passada.
Prefixados renovam máximas
O Tesouro Prefixado 2029 subiu de 14,28% na sexta-feira para 14,36% nesta manhã, alta de 8 pontos-base. O Prefixado 2032 avançou de 14,57% para 14,66%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 foi de 14,61% para 14,68%, renovando o maior nível desde o lançamento do papel.
Títulos de inflação também sobem
Nos títulos de inflação, o movimento também foi de alta, ainda que mais discreto. O IPCA+ 2032 subiu de 8,15% para 8,19%. O IPCA+ com Juros Semestrais 2037 avançou de 7,86% para 7,89%, e o IPCA+ com Juros Semestrais 2045 foi de 7,52% para 7,55%. O IPCA+ 2050 teve variação mínima, de 7,26% para 7,27%.
Alívio na retórica ameniza cenário
O cenário amenizou ao longo das primeiras horas da manhã. Segundo Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX, uma mudança de retórica tanto do lado do Irã quanto dos Estados Unidos abriu espaço para a possibilidade de retomada das negociações de cessar-fogo, o que já provocou alguma retração nos preços do Brent. “Na prática a gente não vê nada muito efetivo, mas essa mudança leve de retórica já possibilita uma retração ali dos preços do petróleo”, afirma.
Dólar opera perto da estabilidade
O dólar acompanhou esse alívio e chegou a operar perto da estabilidade, cotado a R$ 5,1074 na venda por volta das 9h12, leve queda de 0,07% em relação ao fechamento de sexta-feira. O alívio no câmbio e no petróleo, no entanto, não se refletiu na curva nominal do Tesouro Direto, que manteve o movimento de alta iniciado na abertura. Os prefixados seguiram precificando o prêmio de risco acumulado ao longo do fim de semana, mesmo com a moeda americana e os preços de energia perdendo força ao longo da manhã.
Outros fatores no radar
A semana também traz outros fatores de atenção no radar dos investidores, como a possibilidade de uma tarifa adicional de 12,5% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a divulgação do Relatório Bimestral de Receitas e Despesas do governo brasileiro, e a reunião do Banco Central Europeu.



