Os principais índices de Wall Street fecharam o pregão desta segunda-feira em alta, impulsionados pelo anúncio de um cessar-fogo entre Israel e o Hamas e pela forte queda nos preços do petróleo. O Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq registraram ganhos superiores a 1%, refletindo o alívio dos investidores com a redução das tensões geopolíticas e a perspectiva de menor pressão inflacionária.
Trégua no Oriente Médio reduz risco geopolítico
O acordo de trégua, mediado por Estados Unidos e Egito, prevê a interrupção dos ataques e a retomada das negociações de paz. A medida foi bem recebida pelos mercados, que há meses conviviam com o temor de uma escalada do conflito. "A trégua reduz significativamente o prêmio de risco embutido nos ativos, especialmente nas ações de setores mais sensíveis à geopolítica", afirmou um analista do Bank of America.
Com a distensão, investidores realocaram recursos para ativos de risco, como ações e moedas de países emergentes. O dólar, por sua vez, recuou ante uma cesta de divisas, enquanto os títulos do Tesouro americano tiveram leve alta nos preços.
Petróleo em queda alivia inflação
Os contratos futuros do petróleo Brent caíram mais de 3%, abaixo dos US$ 80 o barril, pressionados pela perspectiva de menor demanda global e pela trégua no Oriente Médio. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) manteve sua projeção de demanda para 2026, mas o mercado passou a precificar um excesso de oferta. Empresas do setor de energia, como Exxon Mobil e Chevron, registraram perdas, mas o movimento positivo nos demais segmentos compensou.
Para analistas, a queda do petróleo é benéfica para a economia global, pois reduz custos de transporte e produção, aliviando a inflação. "Isso dá mais margem para os bancos centrais, especialmente o Federal Reserve, considerarem cortes de juros no futuro", destacou um estrategista do Goldman Sachs.
Perspectivas para os mercados
Com a trégua, o foco dos investidores volta para os dados econômicos e os balanços corporativos. Na próxima semana, serão divulgados indicadores de emprego e atividade nos Estados Unidos. A expectativa é de que o índice de preços ao consumidor (CPI) mostre desaceleração, reforçando a aposta em juros mais baixos.
"O cenário de trégua e petróleo mais barato é positivo, mas ainda há riscos, como a implementação do acordo e a desaceleração da China", ressalvou um analista do Morgan Stanley.
Repercussão no Brasil
O otimismo externo também beneficiou a bolsa brasileira. O Ibovespa fechou em alta, puxado por ações de commodities e empresas ligadas ao consumo. O real se valorizou ante o dólar, acompanhando o movimento global de apetite por risco.
Especialistas avaliam que, se a trégua se mantiver e o petróleo continuar caindo, o Brasil pode se beneficiar com a redução dos custos de energia e a diminuição das pressões inflacionárias, abrindo espaço para cortes na taxa Selic.



