O Banco Santander registrou um lucro líquido contábil de € 3,52 bilhões (US$ 4 bilhões) no segundo trimestre de 2026, superando as estimativas dos analistas, que esperavam € 3,33 bilhões, segundo a Bloomberg. O resultado foi impulsionado pela recente aquisição do banco britânico TSB, concluída no fim de abril, que adicionou mais de 4 milhões de clientes à base do Santander. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (22) pela matriz espanhola, que também apresentou números da divisão brasileira. O Santander Brasil (SANB11) divulgará seu resultado separado em 29 de julho.
Lucro ajustado cresce 17% na comparação anual
O lucro líquido ajustado, que exclui a despesa extraordinária de reestruturação de € 250 milhões relacionada à transação com o TSB, atingiu € 3,768 bilhões no segundo trimestre, um crescimento de 17% em relação ao mesmo período do ano passado e de 15% quando desconsiderados os efeitos cambiais. O lucro por ação (EPS) ajustado foi de € 0,25, avanço de 7,6% na comparação com os três meses anteriores.
Desempenho na Espanha e outras regiões
Segundo o Goldman Sachs, o balanço mostra que as tendências na Espanha foram fortes, embora o lucro líquido no país, de € 1,25 bilhão, tenha ficado 3% abaixo do consenso da Visible Alpha. A margem de juros líquida (NII) na Espanha subiu 7,5% na comparação trimestral e 11% na anual, ajudada pelos volumes (alta de 7% ante o 1T26 e 12% ante o 2T25). As tarifas cresceram 8% na comparação trimestral e 12% na anual, enquanto as provisões para perdas com empréstimos (LLP) avançaram 27% na comparação trimestral, com o custo de risco (CoR) em 45 pontos-base, o que é um bom sinal para os outros bancos espanhóis que ainda vão divulgar resultados.
Na divisão brasileira, o NII teve alta de 2% na comparação trimestral, enquanto no Chile a alta foi de 23% e na Espanha subiu 5%. Outras divisões, como Reino Unido, Portugal e Argentina, apresentaram dados abaixo do esperado.
Desempenho do Santander Brasil
De acordo com o Goldman Sachs, o desempenho do Santander no Brasil foi sólido no segundo trimestre, com lucro líquido de € 595 milhões (cerca de R$ 3,3 bilhões pelo câmbio médio do período), embora o número tenha ficado 7% abaixo do consenso da Visible Alpha. O resultado representa uma queda de 3% ante o primeiro trimestre, em cálculo que exclui efeitos cambiais. O resultado refletiu um crescimento de 2% na carteira de crédito na comparação trimestral, praticamente estável em moeda local, enquanto a receita líquida de juros (NII) avançou 6% frente ao trimestre anterior e 12% em relação ao mesmo período do ano passado, com apoio da variação cambial.
A carteira de crédito do Santander Brasil fechou o segundo trimestre em € 94,142 bilhões, leve alta de 0,3% no confronto trimestral. O custo de risco da unidade brasileira atingiu 4,14%, ante 4,19% um ano antes. As provisões líquidas para perdas com crédito somaram € 1,266 bilhão no segundo trimestre, crescimento de 3,5% em relação aos três meses anteriores, desconsiderando efeitos cambiais. O Goldman Sachs destacou que o banco ainda apresentou provisões elevadas, com custo de risco (CoR) de 538 pontos-base, acima dos 507 pontos-base registrados no primeiro trimestre, indicando que o nível pressionado de provisões segue como ponto de atenção.
Estratégia de expansão nos EUA e Reino Unido
A presidente executiva, Ana Botín, busca expandir a atuação do banco nos Estados Unidos e no Reino Unido. Neste ano, ela concordou em comprar a Webster Financial por US$ 12 bilhões e, no ano passado, adquiriu o TSB. Botín afirmou no comunicado que o Santander continuará “investindo em oportunidades de crescimento rentável em toda a nossa presença geográfica.” O banco registrou uma despesa de reestruturação de € 250 milhões relacionada à transação com o TSB e espera extrair ao menos £ 400 milhões em sinergias de custos.
O banco espanhol afirmou, em fevereiro, que pretende elevar o lucro líquido para mais de € 20 bilhões em 2028. As aquisições recentes são uma parte importante dessa estratégia. Os empréstimos, em euros constantes, cresceram 9% no primeiro semestre, “impulsionados pela maior atividade dos clientes e apoiados pela incorporação do TSB”, disse o Santander nesta quarta-feira.
A Webster provavelmente será incorporada ao Santander ainda neste segundo semestre, e os dois processos de integração separados vão exigir “todos os nossos recursos” por algum tempo, disse Cantera na entrevista à TV. Por isso, “não há nenhuma operação relevante de fusões e aquisições sobre a mesa neste momento.” O banco reiterou suas metas de curto e médio prazo. “Estamos no caminho para atingir ou até superar” alguns indicadores-chave de desempenho durante o primeiro ano da estratégia de três anos que vai até 2028, disse Cantera.
Inteligência artificial e metas de clientes
Botín também conta com a inteligência artificial para alcançar suas metas de lucro. Ela afirmou que o Santander está “estruturalmente em vantagem” para implementar IA, citando sua base de 180 milhões de clientes e o controle sobre esse relacionamento como razões centrais para sustentar essa avaliação. O banco quer superar 210 milhões de clientes em 2028. O Santander provavelmente realizará uma recompra de ações de cerca de € 1,8 bilhão com base nos resultados do semestre, operação que já foi aprovada pelo Banco Central Europeu, informou a instituição.



