Santander deve tirar unidade brasileira da bolsa, seguindo tendência global
Santander deve tirar unidade brasileira da bolsa

O Santander Brasil pode estar prestes a deixar a Bolsa de Valores de São Paulo (B3), em um movimento que segue a estratégia global do grupo espanhol de simplificar sua estrutura e reduzir custos. Nos últimos anos, o banco já retirou da bolsa sua unidade mexicana e se desfez de grande parte de sua participação na subsidiária polonesa. Com isso, restam apenas Brasil e Chile como filiais com ações negociadas publicamente.

Estratégia de consolidação

A decisão de fechar o capital da operação brasileira não é surpresa para analistas de mercado. O Santander vem adotando uma política de concentração em mercados-chave, priorizando eficiência e redução de complexidade. A unidade brasileira, embora lucrativa, sofre com a volatilidade cambial e regulatória, além de exigir investimentos significativos em tecnologia e conformidade.

Segundo fontes próximas ao banco, a oferta para aquisição das ações minoritárias deve ser lançada nos próximos meses, com um prêmio sobre o preço de mercado. A operação segue o roteiro já visto no México, onde o Santander pagou cerca de 20% acima da cotação para fechar o capital.

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Impacto para acionistas e mercado

Para os acionistas minoritários, a saída da bolsa representa o fim de uma era. Muitos investidores viram no Santander Brasil uma oportunidade de exposição ao mercado brasileiro com gestão internacional. No entanto, a falta de liquidez e a desvalorização das ações nos últimos trimestres tornaram o papel menos atrativo.

O movimento também reflete uma tendência global: grandes bancos estão reduzindo seu número de subsidiárias listadas para simplificar governança e reduzir custos de compliance. O Santander Chile, por sua vez, ainda não há indicação de deslistagem, mas analistas não descartam que siga o mesmo caminho.

Contexto do setor bancário

No Brasil, a saída do Santander da bolsa pode abrir espaço para outros bancos estrangeiros reverem suas estratégias. O Itaú Unibanco e o Bradesco, por exemplo, mantêm suas ações negociadas, mas o movimento do Santander pode sinalizar uma perda de apetite por capital aberto em mercados emergentes.

O Santander Brasil encerrou o último trimestre com lucro líquido de R$ 3,2 bilhões, uma alta de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do resultado positivo, a matriz espanhola busca maximizar o retorno sobre o capital investido, e a deslistagem permite maior controle sobre a distribuição de dividendos e reinvestimentos.

Analistas do Credit Suisse estimam que a operação de fechamento de capital pode custar ao Santander entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões, dependendo do prêmio oferecido. O banco já contratou assessores financeiros para estruturar a oferta.

Próximos passos

A expectativa é que o Santander anuncie oficialmente a oferta pública de aquisição (OPA) ainda neste semestre. O processo exige aprovação do Banco Central do Brasil e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além de assembleia de acionistas. Se confirmado, o Santander Brasil se juntará a outras grandes empresas que deixaram a bolsa brasileira nos últimos anos, como a Kraft Heinz e a AES Tietê.

A saída da bolsa não significa, contudo, que o banco reduzirá sua presença no país. O Brasil continua sendo um dos mercados mais importantes para o Santander, com 50 milhões de clientes e mais de 3.000 agências. A diferença é que, a partir de agora, o controle será ainda mais centralizado na Espanha.

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