A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou na terça-feira (9) os resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) das operadoras de planos de saúde. O lucro líquido somou US$ 6,0 bilhões. Desconsiderando uma provisão técnica voluntária de US$ 2,7 bilhões feita pela SulAmérica, o lucro líquido ajustado alcançou US$ 7,6 bilhões, uma expansão de 12% na comparação anual. A margem líquida ficou em 8,4%, superando os 7,8% do 1T19, período pré-pandemia.
Sinistralidade e margens operacionais
Excluindo o efeito contábil da SulAmérica, a sinistralidade recuou 0,7 ponto percentual (pp) ante o 1T25, para 78,6%. O índice ficou 2,9 pp abaixo do 1T19. A margem operacional ajustada avançou 1,5 pp em termos anuais, atingindo 6,8% – 1,2 pp acima do patamar pré-pandemia.
O Bradesco BBI considera os resultados positivos para o setor, mas alerta que os patamares atuais de margens e sinistralidade “podem se provar insustentáveis devido à concorrência de preços”.
SulAmérica
A SulAmérica registrou provisão de IBNR de aproximadamente R$ 610 milhões no 1T26, alta de 15% ante 1T25 e salto frente aos R$ 26 milhões do 4T25. O indicador IBNR sobre sinistros médicos dos últimos 12 meses subiu para 27%. O BBI acredita que a sinistralidade da empresa deve continuar melhorando. A SulAmérica liderou a expansão de participação de mercado entre grandes players, com ganho de 0,3 pp para 9,8%.
O Itaú BBA detalha que a empresa reconheceu R$ 2,7 bilhões em provisões técnicas direcionadas à carteira individual, afetando as receitas. Com isso, a sinistralidade de caixa da subsidiária Sul América Cia de Seguro Saúde caiu para 66,9%, redução de 3,3 pp na base anual.
Amil
A Amil apresentou contração de 1 pp na sinistralidade anual, para 79,5%, enquanto a margem operacional expandiu 4 pp, para 6,5%, gerando lucro líquido de US$ 520 milhões. A empresa se destacou na recuperação da sinistralidade em relação ao pré-pandemia, com retração de 2 pp ante o 1T19.
Bradsaúde (SAUD3)
A Bradsaúde registrou provisão de IBNR de cerca de R$ 17 milhões no trimestre, contra R$ 149 milhões no 4T25. A sinistralidade de caixa recuou 7,3 pp na comparação trimestral, para 77,7%, mas ficou ligeiramente maior na base anual devido à forte base de comparação do 1T25. Os analistas do BBA reforçam que os dados mostram resiliência e sustentabilidade comercial.
Unimed
A Unimed apresentou queda de 2,4 pp na sinistralidade anual, para 72%, com lucro líquido de US$ 63 milhões. O grupo liderou a melhoria de sinistralidade ante o 1T19, com retração de 16 pp.
Hapvida
Para a Hapvida (HAPV3), a melhora na margem da Amil pode intensificar a concorrência de preços no curto prazo. A operação HAM registrou tíquete médio de R$ 289 (alta anual de 7%) e sinistralidade de 73,6%. A NDI Saúde apresentou ticket estável em R$ 337, com sinistralidade de 76,4%. Os índices subiram na comparação trimestral devido ao efeito do ressarcimento ao SUS. Sem esse efeito, a HAM teria melhorado 280 pontos-base e a NDI Saúde 150 p.b. sequencialmente. O grupo reportou salto em outras despesas operacionais para R$ 1.150 milhões. O Itaú BBA considera os números construtivos para a tese da Hapvida.
Dinâmica de preços e market share
O ticket médio do setor avançou 9% na comparação anual no 1T26. Excluindo impactos da Unimed Ferj e provisão da SulAmérica, o valor médio por beneficiário foi de US$ 565 (alta de 0,7% ante o trimestre anterior). As seguradoras de saúde ganharam 0,2 pp de participação de mercado em receita (25,9%), enquanto as medicinas de grupo recuaram para 30,1% (-0,7 pp) e a Unimed cedeu para 31,6% (-0,2 pp). Entre as maiores, SulAmérica (+0,3 pp para 9,8%) e Amil (+0,2 pp para 8,4%) lideraram os ganhos, enquanto a Hapvida perdeu 0,4 pp, para 7,8%.
Os dados da ANS consideram exclusivamente planos médicos, excluindo odontológicos e administradoras de benefícios.



