Estresse com NTN-B leva vencimentos até 2037 a taxas acima de 8%
Estresse com NTN-B eleva taxas acima de 8% até 2037

O mercado de renda fixa brasileiro registrou forte estresse nesta quarta-feira, com os títulos NTN-B (Notas do Tesouro Nacional série B) apresentando taxas acima de 8% para vencimentos até 2037. A pressão foi atribuída a preocupações com o cenário fiscal e a trajetória da inflação, que afetam a precificação desses papéis indexados ao IPCA.

Taxas atingem patamares elevados

Segundo dados da Bloomberg, a NTN-B com vencimento em 2037 atingiu taxa de 8,02% ao ano, enquanto o papel para 2035 chegou a 7,95%. Já os vencimentos mais curtos, como 2028, também subiram, alcançando 7,45%. O movimento ocorre em meio a um aumento generalizado das taxas de juros reais no Brasil, impulsionado por incertezas sobre a política fiscal do governo.

O estresse nos títulos indexados à inflação reflete a percepção de que a inflação pode ficar acima das metas por mais tempo, exigindo prêmios maiores dos investidores. "O mercado está claramente preocupado com a sustentabilidade fiscal e a capacidade do governo de controlar os gastos", afirmou um gestor de recursos que preferiu não ser identificado.

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Impacto no mercado e expectativas

O movimento das NTN-B também afetou outros ativos, como os títulos prefixados e as taxas de juros futuros. A curva de juros abriu, com o contrato de DI para janeiro de 2029 subindo para 14,15% ao ano. Analistas apontam que o estresse pode se intensificar caso o governo não apresente medidas concretas de ajuste fiscal.

"A alta das taxas das NTN-B é um sinal de que os investidores estão exigindo maior remuneração para carregar títulos brasileiros, o que pode dificultar o financiamento da dívida pública", comentou um economista de um banco de investimentos. Ele acrescentou que o cenário global de juros altos também contribui para a pressão.

Perspectivas para os próximos meses

Especialistas avaliam que a trajetória das NTN-B dependerá da evolução da inflação e da política monetária. O Banco Central já sinalizou que pode elevar a Selic caso a inflação não convirja para a meta. "Se o BC for forçado a subir os juros, as taxas das NTN-B podem continuar subindo", alertou o gestor.

Por enquanto, o mercado permanece atento aos próximos indicadores econômicos e às decisões do governo. A expectativa é de que o estresse persista até que haja maior clareza sobre o rumo fiscal do país.

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