Reguladores não devem definir exigências de capital falsas, diz CEO do JP Morgan
CEO do JP Morgan critica exigências de capital falsas

O CEO do JP Morgan, Jamie Dimon, criticou duramente a abordagem dos reguladores financeiros ao definir exigências de capital para os bancos. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Dimon afirmou que as regras atuais são baseadas em cenários irreais e podem prejudicar a economia como um todo. "Reguladores não devem definir exigências de capital falsas que não refletem a realidade dos riscos", disse o executivo.

Críticas ao modelo de Basileia III

Dimon apontou especificamente o acordo de Basileia III, que impõe requisitos mais rígidos de capital para os bancos. Segundo ele, as simulações usadas pelos reguladores para calcular o capital mínimo necessário são excessivamente pessimistas e não consideram a diversificação dos riscos no mundo real. "Se seguirmos essas regras cegamente, os bancos terão que manter um volume enorme de capital que poderia ser usado para financiar o crescimento econômico", afirmou.

O CEO do maior banco dos Estados Unidos destacou que as exigências de capital já aumentaram significativamente desde a crise financeira de 2008, mas que os reguladores continuam a pressionar por mais. "Passamos de uma situação de capital insuficiente para um excesso que sufoca a atividade econômica", disse Dimon.

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Impacto na economia real

Dimon alertou que o excesso de regulamentação pode levar os bancos a reduzir a oferta de crédito, especialmente para pequenas e médias empresas. "O crédito é o combustível da economia. Se os bancos são forçados a segurar capital demais, quem perde é o empreendedor que precisa de um empréstimo para expandir seu negócio", explicou.

Ele também mencionou que a competição com instituições não bancárias, como fintechs e fundos de private equity, está crescendo, e que essas empresas não estão sujeitas às mesmas regras. "Temos uma assimetria regulatória que coloca os bancos tradicionais em desvantagem", afirmou.

Segundo dados do próprio JP Morgan, as exigências de capital para grandes bancos nos EUA aumentaram cerca de 80% desde 2009. Dimon argumenta que esse aumento não se traduziu em maior segurança, mas sim em menor eficiência. "O sistema bancário americano é hoje um dos mais seguros do mundo, mas isso tem um custo. Precisamos de regras inteligentes, não de regras punitivas", disse.

Reação dos reguladores

As declarações de Dimon ocorrem em um momento de debate global sobre a revisão das regras de Basileia III. O Banco de Compensações Internacionais (BIS) tem defendido a implementação completa do acordo, enquanto bancos e associações do setor pedem mais flexibilidade. O Federal Reserve, banco central dos EUA, ainda não se manifestou oficialmente sobre as críticas de Dimon.

Para o CEO do JP Morgan, o diálogo entre reguladores e bancos é essencial para encontrar um equilíbrio. "Nós não somos contra a regulação. Somos contra a regulação mal feita. Precisamos de regras baseadas em evidências, não em cenários de ficção científica", concluiu.

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