O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, comprometeu-se a divulgar o balanço financeiro atrasado da instituição até o dia 30 de junho. A promessa foi feita durante audiência no Senado Federal nesta terça-feira (9), em meio à crise desencadeada por transações malsucedidas com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Empréstimo de R$ 6,6 bilhões aprovado
Na mesma terça-feira, a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou, por 11 votos a 9, a autorização para que a governadora Celina Leão (PP) solicite um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões. O objetivo é reforçar o caixa do BRB, que enfrenta dificuldades após operações fraudulentas com o Banco Master. O governo do DF é acionista controlador do banco e o utiliza para operar mais de 30 programas sociais, oferecer crédito habitacional e gerenciar a folha de pagamento dos servidores distritais.
Detalhes obscuros da operação
Até a manhã desta quarta-feira (10), os detalhes da transação permaneciam indefinidos. Nem o governo, nem o BRB, nem o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) definiram como o empréstimo será operacionalizado ou como o DF pagará a dívida nas próximas décadas. Deputados da oposição e da base aliada reclamaram da falta de transparência sobre a operação de crédito.
Origens da crise do BRB
A crise atual do BRB está ligada a negociações com o Banco Master entre 2024 e 2025, que totalizaram R$ 30 bilhões. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero, apontando um esquema de fraudes financeiras bilionárias. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, suspeito de permitir negócios sem lastro e sem governança adequada.
O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos comprados do Master são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. O governo acredita que pode recuperar R$ 2,2 bilhões com outras medidas, mas precisa do empréstimo para cobrir os R$ 6,6 bilhões restantes.
Acordo entre União e DF
O acordo, homologado no fim de maio pelo ministro do STF Luiz Fux, foi necessário porque o DF tem nota ruim nas finanças públicas e não poderia contratar um empréstimo desse porte no mercado. Pelo entendimento, não haverá transferência de recursos federais nem aval da União. O dinheiro virá do FGC, instituição privada composta por aportes dos maiores bancos do país. Esses bancos serão os garantidores do empréstimo e poderão ser acionados caso o DF não pague. Como contragarantia, o DF oferece os repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Enquanto o DF não retomar o selo de bom pagador ou quitar o empréstimo, ficam valendo restrições fiscais: não poderá dar aumento a servidores (exceto por ordem judicial), fazer concurso para novos cargos, alterar carreiras com aumento de despesas, criar despesas obrigatórias contínuas ou conceder benefícios tributários.
Modelo proposto pelo DF
O modelo proposto pelo governo do DF e pelo BRB prevê: valor de R$ 6,6 bilhões em parcela única; carência de 18 meses (primeiro pagamento em 2028); juros de IPCA + 4,5% ao ano; quitação em 180 parcelas mensais (15 anos). A primeira prestação seria de cerca de R$ 95,6 milhões por mês. Segundo Nelson Souza, quando o DF começar a pagar, o BRB já terá voltado ao patamar de R$ 1 bilhão de lucro anual, o que poderia ajudar na quitação.
Perguntas sem resposta
Ainda não estão claros: o custo total do empréstimo, o cronograma de pagamento, a origem dos recursos para as parcelas mensais, se o orçamento do DF comporta os valores, se o BRB devolverá recursos ao DF quando se recuperar e se executivos punidos ressarcirão os cofres. A oposição estima que o empréstimo pode custar mais de R$ 1 bilhão por ano só em juros. O g1 questionou o governo e o BRB, mas não obteve retorno.



