BRB enfrenta corrida por liquidez e balanço de 2025 segue sem divulgação
BRB enfrenta corrida por liquidez e balanço de 2025 não sai

O tempo corre contra o Banco de Brasília (BRB). Como até agora não apresentou o balanço de 2025, a instituição sofre uma corrida por liquidez. Não chega a ser uma surpresa. Investidores minimamente informados dificilmente manteriam seus preciosos recursos numa instituição financeira que clama por socorro, mas não revela a extensão de sua enfermidade.

Presidente do BRB reconhece agravamento

Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, reconheceu que a não apresentação das demonstrações financeiras do ano passado, cujo prazo venceu em 31 de março, tem acentuado a corrida contra o banco. Ainda assim, os resultados do ano passado – na verdade o real tamanho do rombo que a associação criminosa ao Master legou ao BRB – só serão divulgados após a conclusão de “procedimentos de auditoria independente”, segundo Souza.

Acordo do STF não decola

Enquanto o tamanho do buraco do BRB permanece um mistério e os clientes retiram seu dinheiro do banco, nem mesmo o insólito acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para salvar o BRB decola. Pelos termos de dito acordo, que acaba de ser ratificado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, o governo local pode tomar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para capitalizar o BRB. A garantia para esse empréstimo viria dos principais bancos públicos e privados do País, já que a situação fiscal do DF é crítica e a União jura que o Tesouro não entrará na operação de salvamento do BRB. Já a contragarantia do governo do DF envolveria o congelamento de aumentos salariais e de concursos públicos, medida que certamente será contestada na Justiça.

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O fato é que, mesmo com todo esse arranjo surreal patrocinado pelo STF, o empréstimo do FGC ainda não saiu. Os bancos privados seguem refratários à ideia, muito provavelmente por anteverem os riscos de judicialização das contragarantias do GDF.

Dificuldades adicionais

Além da dificuldade de materializar o empréstimo com o FGC, o BRB também não conseguiu finalizar a operação de aumento de capital aprovada em assembleia-geral extraordinária no final de abril. Por fim, a venda de R$ 15 bilhões em ativos do Master em posse do BRB para a Quadra Capital dificilmente renderá tanto quanto o banco regional espera.

Risco de se tornar estatal zumbi

Não fosse uma instituição estatal, um banco na situação do BRB a esta altura já teria sido liquidado ou sofrido uma intervenção do Banco Central. A bem da verdade, essas seguem sendo as melhores soluções, em que pesem as dores envolvidas, para uma instituição na situação do Banco de Brasília. Conforme o tempo passa, porém, o BRB vai se assemelhando mais e mais aos Correios. O risco não é apenas de que a União tenha de vir em socorro do BRB, mas de que o banco se converta em mais uma estatal zumbi que só produz prejuízos e drague mais recursos do contribuinte.

Quando nem mesmo um acordo tão generoso quanto o que o STF pavimentou para o BRB surte efeitos, é sinal de que algo muito grave ocorreu. Sem apresentar seu balanço, o BRB não tem como salvar-se de si mesmo.

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