As cotas do fundo de investimento do agronegócio (Fiagro) Valora CRA (VGIA11), gerido pela Valora Investimentos, registram forte queda na B3 pelo segundo dia consecutivo, acumulando perda de 24,8% desde segunda-feira (20). O movimento foi desencadeado por notícias sobre a inadimplência de um emissor de Certificado de Recebível do Agronegócio (CRA) na carteira do fundo.
Queda acentuada e impacto no mercado
Na terça-feira, a cota do fundo caiu 11,23%, e nesta quarta a perda já alcança cerca de 10%. O VGIA11 é um dos maiores Fiagros negociados no mercado, com patrimônio de R$ 1,024 bilhão. A queda começou após a divulgação de que a Cooperativa Languiru, do Rio Grande do Sul, deixou de pagar em 9 de julho uma parcela de juros de um CRA no valor de R$ 198.990.
O fundo possui três CRAs emitidos pela Languiru, cujos valores somados representam cerca de 12% do patrimônio do fundo, ou aproximadamente R$ 120 milhões.
Histórico de renegociação e garantias
A Languiru já havia enfrentado dificuldades financeiras e renegociado suas dívidas, reforçando as garantias aos credores. No entanto, deixou de pagar a parcela deste mês e passou a questionar a validade da cessão de recebíveis relacionados a um contrato com a JBS. Esse questionamento é rejeitado pela Valora.
Em relatório gerencial, a gestora reforça que as operações contam com “todas as garantias originalmente constituídas (alienação fiduciária de máquinas equipamentos, penhor de grãos e avais), bem como as adicionadas no contexto da sua reestruturação por meio do acordo (hipotecas de imóveis e cessão fiduciária adicional de recebíveis de empresas de primeira linha)”.
“Entendemos que estas garantias são suficientes para fazer frente ao montante total da exposição do fundo e não estão sujeitas a outras condições relacionadas aos demais credores da Cooperativa”, disse a Valora.
Posição da OPEA Securitizadora e do BTG Pactual
Em nota, a OPEA Securitizadora, emissora dos CRAs da Languiru, informou que “seguirá adotando as medidas cabíveis, na forma do Termo de Securitização, sem renúncia de qualquer direito”.
O BTG Pactual, administrador do fundo, respondeu a solicitação de esclarecimentos da B3 afirmando que “em relação ao questionamento apresentado, informamos que não identificamos fatos ou eventos relacionados ao Fundo que possam ter impactado as oscilações observadas”.
Valora pede cautela aos investidores
Consultada, a Valora informou que é importante que os investidores entendam o caso para não serem prejudicados por um “ambiente irracional” do mercado secundário de cotas “no qual nos parece haver alguma assimetria de informação”. Segundo a gestora, embora o fundo tenha elevada exposição de cerca de 12%, a operação conta com garantias reais que superam 100% da posição do fundo.
A gestora observa ainda que a parcela de juros não paga representa 0,05% do patrimônio da carteira e “isso não deveria afetar a distribuição dos dividendos”. “Até o momento não entendemos que este evento trará impacto no fundo considerando as garantias e avanço estratégico/jurídico que já ocorreram durante a renegociação”, afirmou a Valora em nota.



