Região de Itapetininga lidera produção de pimentão em SP com 19,6 mil toneladas
Região de Itapetininga lidera produção de pimentão em SP

A região de Itapetininga, no interior de São Paulo, consolidou-se como a maior produtora de pimentão do estado em 2025, com uma colheita de 19.621,5 toneladas, de acordo com levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA). O volume representa a maior participação entre as regiões produtoras paulistas.

Destaque regional e crescimento estadual

A região analisada pelo IEA abrange 14 municípios, com destaque para São Miguel Arcanjo, Itapetininga, Capão Bonito, Angatuba e Sarapuí, que estão entre os principais produtores. A área cultivada com pimentão na região é de aproximadamente 200 hectares. O desempenho regional acompanha o crescimento da cultura em todo o estado: São Paulo produziu 82.490,93 toneladas de pimentão em 2025, um aumento de 51,48% em relação às 54.456,4 toneladas de 2024.

Além do aumento na produção, a cultura ganhou valor econômico. O Valor da Produção Agropecuária (VPA) do pimentão atingiu R$ 499,8 milhões em 2025, crescimento de 74,19% na comparação com o ano anterior.

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Pimentões coloridos e cultivo protegido

Segundo Marcelo Ament Giuliani dos Santos, chefe de divisão da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) Regional Itapetininga, a produção regional tem como característica o cultivo de pimentões coloridos. "A principal variedade cultivada na região é a de pimentões coloridos, com predominância dos tipos retangulares nas cores vermelha e amarela", explica.

Um dos fatores que explicam a alta produtividade é o uso do cultivo protegido, técnica adotada devido ao clima mais frio dos municípios do sudoeste paulista. "Esse sistema permite maior controle da temperatura, da irrigação, com uso mais eficiente da água, e do manejo de pragas. Além disso, os produtores da região são capacitados para realizar a classificação e a rastreabilidade dos produtos, contando com a assistência técnica da CATI", afirma o especialista.

Destino da produção e logística

A produção regional é destinada principalmente ao mercado interno, com distribuição para cidades da região e comercialização por meio da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). "A infraestrutura logística da região e a proximidade com a Grande São Paulo facilitam o escoamento da produção, um fator importante por se tratar de um produto perecível", aponta Marcelo.

Produção durante todo o ano

O cultivo e a colheita do pimentão ocorrem durante todo o ano na região de Itapetininga. Porém, segundo a CATI, a produção tende a ser maior no verão, quando as temperaturas favorecem o desenvolvimento da cultura. Apesar do crescimento registrado em 2025, ainda não é possível afirmar que a próxima safra terá volume maior. "A cultura do pimentão na região apresenta uma certa estabilidade produtiva. Por isso, neste momento, não é possível afirmar que a próxima safra superará a anterior, já que o resultado dependerá das condições climáticas e de outros fatores que influenciam a produção", explica o especialista.

Experiência de produtor local

O produtor rural Lucas Nogueira, que cultiva pimentão em São Miguel Arcanjo há cerca de 20 anos, afirma que a última safra foi especialmente positiva, principalmente pelo controle de uma praga que havia causado prejuízos: a mosca-branca. "Vem aí uns dois, três anos que está mantendo o preço, vamos dizer assim. O ano passado foi um ano relativamente bom de produzir. Acho que no ano retrasado teve uma incidência muito grande de mosca-branca, daí o pimentão, que é um dos que mais sente o ataque dessa praga, sofreu. Mas ano passado não teve, e isso ajudou", comenta.

Lucas também cultiva pepino e tomate em sistema de rotação, mas o pimentão é a principal produção da propriedade. "Eu tenho cultivo protegido e a campo. Eu trabalho pimentão maduro, tem amarelo e o vermelho. É uma cultura mais para o verão, mas dentro do cultivo protegido você consegue produzir no inverno. Mas se for um inverno muito rigoroso mesmo, aí ele praticamente não desenvolve", explica.

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O agricultor detalha que o plantio costuma ser no início do ano, com colheita de abril a junho. "Aqui em São Paulo, a maior parte mesmo da produção é aqui da região e de cultivo protegido. Tem duas épocas que a gente planta pimentão, pensando no mercado. Tentamos pegar época de Natal, porque sempre no Natal sobe o preço, e a Semana Santa."

Uma curiosidade compartilhada por Lucas é que a diferença entre as cores do pimentão está relacionada ao estágio de maturação. "O verde é o pimentão colhido ainda imaturo, ele é verde, depois fica maduro, e daí ele amadurece e fica vermelho ou amarelo. Então o 'pulo do gato' para obter o pimentão verde é colher antes do fruto amadurecer", revela.

Importância do pimentão na agricultura paulista

Além da relevância regional, o pimentão tem papel importante na agricultura paulista. Segundo a Secretaria de Agricultura, o produto é botanicamente classificado como fruto e está entre as principais hortaliças cultivadas no Brasil. Rico em vitamina C, vitamina A, antioxidantes e minerais, o pimentão pode ser consumido cru ou utilizado em diferentes preparos, como molhos, refogados, assados e recheados.