Oncoclínicas: dívida de R$ 5 bi com 800 credores em recuperação extrajudicial
Oncoclínicas tem R$ 5 bi em dívidas com 800 credores

A Oncoclínicas, uma das maiores redes de clínicas oncológicas do Brasil, anunciou um processo de recuperação extrajudicial para reestruturar uma dívida de R$ 5,1 bilhões. O montante envolve 795 credores, entre os quais se destacam bancos e fornecedores de medicamentos. A empresa, que encerrou 2025 com prejuízo de R$ 3,67 bilhões, busca evitar uma recuperação judicial e garantir que os atendimentos aos pacientes não sejam interrompidos.

Detalhes da dívida e credores

Dos R$ 5,1 bilhões em débitos, a maior parte é devida a instituições financeiras e distribuidoras de medicamentos. Segundo a companhia, 37% dos credores já aderiram ao plano de recuperação extrajudicial, que precisa de aprovação de 50% para ser homologado pela Justiça. O plano abrange apenas débitos vencidos, não incluindo custos operacionais correntes, como salários e aluguéis.

A Oncoclínicas atribui a crise a uma combinação de fatores internos e externos: expansão acelerada nos últimos anos, aumento dos custos com insumos hospitalares, inadimplência de planos de saúde e condições macroeconômicas desfavoráveis, como juros elevados e inflação. A empresa já vinha enfrentando dificuldades financeiras há meses, com queda no fluxo de caixa e necessidade de renegociar prazos com fornecedores.

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Impacto nos pacientes e operações

Em comunicado oficial, a Oncoclínicas afirmou que a recuperação extrajudicial não afetará o atendimento aos pacientes. “Os tratamentos oncológicos seguem normalmente em todas as unidades. A medida é exclusivamente para reestruturar passivos financeiros e garantir a saúde financeira de longo prazo da empresa”, disse a assessoria. A rede opera atualmente mais de 100 clínicas em diversos estados brasileiros.

Especialistas apontam que o setor de clínicas oncológicas tem enfrentado uma crise generalizada, com margens apertadas e dependência de contratos com planos de saúde que frequentemente atrasam pagamentos. A situação da Oncoclínicas é vista como um reflexo desse cenário.

Disputa com acionistas e OPA bilionária

Paralelamente à reestruturação da dívida, a Oncoclínicas enfrenta uma disputa com acionistas minoritários que pressionam pela realização de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) de R$ 6 bilhões. O grupo Centaurus, controlador da empresa, é alvo de críticas por supostamente não ter oferecido um preço justo aos minoritários. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda analisa o caso, que pode resultar em um desembolso adicional significativo para a companhia.

A Oncoclínicas também busca negociar com credores a conversão de parte da dívida em ações, o que diluiria a participação dos atuais acionistas, mas aliviaria o fluxo de caixa. A empresa não descarta novas medidas de redução de custos, como fechamento de unidades menos rentáveis e renegociação de aluguéis.

Perspectivas e próximos passos

O plano de recuperação extrajudicial precisa ser aprovado por credores que representem mais da metade dos débitos para ser homologado. Caso contrário, a Oncoclínicas pode ter que recorrer a uma recuperação judicial, o que seria mais traumático e poderia afetar a imagem da empresa. Até o momento, a adesão de 37% dos credores é considerada positiva, mas ainda insuficiente.

Analistas de mercado avaliam que a empresa tem ativos relevantes, como carteira de pacientes e contratos com planos de saúde, que podem servir como garantia para novas negociações. No entanto, o alto endividamento e a disputa com acionistas criam incertezas sobre o futuro da rede.

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