A Oncoclínicas, uma das maiores redes de clínicas oncológicas do Brasil, entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas que somam R$ 5,1 bilhões. A medida ocorre após meses de grave crise financeira, que já havia provocado a interrupção de tratamentos de pacientes de planos de saúde. A empresa encerrou 2025 com prejuízo de R$ 3,67 bilhões, segundo balanço divulgado pela companhia.
Alavancagem elevada e descumprimento de contrato
A alavancagem da Oncoclínicas atingiu 4,3 vezes o Ebitda, índice superior ao limite estabelecido em contrato com credores. Esse descumprimento foi um dos fatores que levaram a empresa a buscar a recuperação extrajudicial, que permite renegociar dívidas com credores sem a necessidade de intervenção judicial direta. A rede de clínicas espera que o processo seja concluído em até 90 dias.
Joint venture abortada e pressão de acionistas
Antes de recorrer à recuperação extrajudicial, a Oncoclínicas tentou criar uma joint venture com a Porto Seguro e o Fleury, mas a negociação foi abortada. Paralelamente, acionistas minoritários têm pressionado a administração por uma oferta pública de aquisição (OPA), como forma de proteger seus investimentos. A empresa não se pronunciou oficialmente sobre a possibilidade de OPA.
Impacto nos pacientes e planos de saúde
A crise financeira já afetou diretamente pacientes oncológicos. Em maio de 2026, a Oncoclínicas suspendeu tratamentos de pacientes de planos de saúde em diversas unidades, gerando reclamações e ações judiciais. A recuperação extrajudicial visa garantir a continuidade dos serviços, mas ainda há incerteza sobre o cronograma de normalização. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informou que acompanha o caso e pode intervir caso haja risco de desassistência.
Próximos passos
Com o pedido protocolado na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, a Oncoclínicas terá que apresentar um plano de recuperação detalhado aos credores. A empresa também precisará comprovar viabilidade econômica para manter as operações. Especialistas do setor avaliam que a reestruturação é necessária, mas alertam que o endividamento elevado e a concorrência no setor de oncologia podem dificultar a recuperação.



