OMC expõe vulnerabilidade do Brasil em fertilizantes
OMC expõe vulnerabilidade do Brasil em fertilizantes

A Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgou um relatório que expõe a vulnerabilidade do Brasil e de outros grandes produtores agrícolas em relação à dependência de fertilizantes importados. O documento, intitulado "Fertilizantes e Comércio Agrícola: Riscos e Oportunidades", aponta que o país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, percentual que sobe para mais de 90% no caso do potássio. Essa dependência coloca o Brasil em situação de fragilidade diante de choques geopolíticos, como a guerra na Ucrânia, e da volatilidade dos preços internacionais.

Dependência crítica de importações

De acordo com o relatório, o Brasil é o quarto maior consumidor mundial de fertilizantes, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos. No entanto, sua produção interna cobre menos de 15% da demanda. A Rússia, a Bielorrússia e a China são os principais fornecedores, respondendo por mais de 50% das importações brasileiras de potássio e ureia. A concentração da oferta em poucos países eleva o risco de desabastecimento em caso de sanções comerciais ou conflitos.

O economista da OMC responsável pelo estudo, Marcello de Paiva, afirmou que "a dependência de fertilizantes importados tornou-se um dos principais gargalos da segurança alimentar global". Ele ressaltou que "países como Brasil, Argentina e Índia são particularmente expostos, pois combinam alta demanda agrícola com baixa capacidade de produção interna de insumos".

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impactos na produção agrícola

A vulnerabilidade já se traduziu em custos mais altos para os agricultores brasileiros. Em 2022, os preços dos fertilizantes dispararam após a invasão da Ucrânia pela Rússia, elevando em até 30% o custo de produção de culturas como soja, milho e café. O relatório da OMC estima que, sem medidas de diversificação, o Brasil pode perder competitividade no mercado global de commodities agrícolas.

O estudo também destaca que a dependência de fertilizantes não é apenas um problema brasileiro. A África Subsaariana importa 90% dos fertilizantes que consome, enquanto a América do Sul como um todo importa cerca de 70%. A situação é menos crítica na América do Norte e na Europa, que possuem indústrias de fertilizantes mais desenvolvidas.

Caminhos para reduzir a vulnerabilidade

Diante do cenário, a OMC recomenda que os países produtores invistam em diversificação de fontes de suprimento, estímulo à produção doméstica de fertilizantes e uso mais eficiente dos nutrientes. No Brasil, o governo federal lançou em 2023 o Plano Nacional de Fertilizantes, que prevê investimentos de R$ 20 bilhões até 2050 para reduzir a dependência externa para 50%. No entanto, especialistas consideram a meta ambiciosa e de longo prazo.

O relatório também sugere a adoção de práticas agrícolas sustentáveis, como a rotação de culturas e o uso de biofertilizantes, que podem diminuir a necessidade de insumos químicos. A Embrapa já desenvolve pesquisas nessa área, mas a adoção em larga escala ainda enfrenta barreiras técnicas e econômicas.

Em suma, a análise da OMC serve como um alerta para o Brasil e outros países emergentes: a segurança alimentar global depende não apenas da produção agrícola, mas também da capacidade de garantir insumos estratégicos. A dependência de fertilizantes importados é uma fragilidade que precisa ser enfrentada com políticas públicas e cooperação internacional.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar