Mestre da marcenaria artesanal, Flávio Monteiro foi o grande homenageado da 8ª ExpoMóveis Rústicos, realizada em Passos (MG). Aos 74 anos, ele segue transformando madeira em legado e inspiração para o setor moveleiro brasileiro. O reconhecimento às mãos que ajudaram a moldar a indústria moveleira de Passos já se tornou uma das mais belas tradições da ACIMOV.
Cerimônia de homenagem
Durante a cerimônia, o diretor de eventos da ACIMOV, Marcelo Silva Coimbra, destacou o peso do homenageado para a consolidação do setor. “Seu Flávio possui uma trajetória admirável. Mais do que produzir móveis de excelência, ele sempre exerceu sua profissão com dedicação, amor e respeito pelo ofício. Ao longo dos anos, compartilhou conhecimento, formou profissionais e se tornou uma referência. Sua história representa os valores que desejamos preservar e transmitir às futuras gerações”, afirmou.
Trajetória inspiradora
Natural de Passos (MG), Flávio Monteiro iniciou seu contato com a madeira aos 13 anos, inspirado pelos ensinamentos de seu pai, que era militar. Foi em casa que aprendeu que o trabalho deveria ser realizado sempre com perfeição, responsabilidade e amor — princípios inegociáveis que carrega até hoje. Há cerca de quatro décadas, quando os móveis rústicos ainda eram um nicho pouco explorado no Brasil, ele despontou entre os pioneiros que ajudaram a desenvolver e estruturar o segmento em Passos. Ao lado de outros profissionais locais, participou ativamente da construção do que viria a ser um dos polos moveleiros mais importantes do país, levando a produção mineira para grandes centros consumidores, como Campinas e São Paulo.
Reconhecimento nacional
O capricho, a qualidade artesanal, a riqueza de detalhes e a durabilidade de suas peças fizeram com que seu trabalho ultrapassasse fronteiras. Seus móveis chegaram a diversos estados e ganharam destaque nacional ao comporem as residências de personalidades como o apresentador Ratinho e a dupla Chitãozinho & Xororó, além de integrarem cenários de produções da TV Globo.
Legado além das peças
Mesmo aos 74 anos, Flávio Monteiro segue ativo em sua oficina, mantendo viva a paixão pelo artesanato. Para ele, no entanto, a maior obra de sua vida não está nas peças finalizadas, mas nas pessoas que ajudou a formar. “Ver tantos marceneiros trabalhando e saber que muitos passaram por aqui é uma das maiores riquezas que tenho. Minhas portas sempre estarão abertas para quem precisar aprender, trocar experiências ou receber ajuda”, destacou o homenageado.
Homenagem e emoção
A entrega da simbólica chave de madeira, realizada ao lado do diretor de eventos, Marcelo Coimbra; do presidente da ACIMOV, Carlos Eduardo Sousa Couto; do presidente da Câmara Municipal, Plínio Costa de Andrade; do secretário municipal de Indústria, Comércio e Turismo, Edson Martins; e de outras lideranças locais, materializou o respeito de toda uma cadeia produtiva por esse mestre. A emoção tomou conta do pavilhão durante o momento dedicado à família. Os filhos lembraram que a marcenaria sempre foi o coração da casa, reunindo a todos em torno do trabalho e dos valores transmitidos pelo patriarca. Segundo as filhas Maeli Thammy Monteiro e Débora Thammy Monteiro, a vida do homenageado sempre se sustentou em três grandes pilares: Deus, a família e a profissão. Elas ressaltaram que, além da genialidade na marcenaria, o exemplo de comprometimento e a busca constante pela excelência permanecem como o seu maior legado.
Impacto na feira
O impacto de Seu Flávio reverberou por toda a 8ª ExpoMóveis Rústicos. Durante o evento, peças inspiradas e produzidas em homenagem ao seu legado integraram a exposição especial “Móveis que Contam Histórias”, que valorizou as criações dos profissionais que ajudaram a construir a identidade do polo. Mais do que celebrar uma vida inteira de dedicação, a homenagem da ACIMOV reforça a importância de olhar para trás com gratidão. São histórias grandiosas como a de Flávio Monteiro que mantêm viva a tradição e inspiram os novos artesãos, empresários e lojistas a continuarem escrevendo o futuro do móvel rústico no Brasil.



