A MAC Cosmetics, conhecida por sua ampla gama de tons de maquiagem, mantém no Brasil quase 70 cores de base, 44 tons de corretivo e 29 de blush, reforçando seu compromisso com a diversidade. Em entrevista ao Estadão, a artista nacional e porta-voz da marca, Katia Araujo, destacou que a empresa chegou ao país em 2002 e rapidamente se tornou referência para consumidores negros, que antes tinham poucas opções no mercado.
Impacto da MAC no mercado brasileiro
Segundo Araujo, a chegada da MAC ao Brasil ocorreu em um contexto de escassez de produtos para peles negras. "Havia poucas marcas de maquiagem há 25 anos, e essas marcas atendiam um público muito específico, porque nós (negros) nem éramos vistos como consumidores em potencial", afirmou. Ela destacou que o padrão de beleza eurocentrado e questões socioeconômicas excluíam a população negra do consumo de maquiagem.
A executiva, que está na MAC há mais de duas décadas, observa que as redes sociais e os movimentos negros foram fundamentais para mudar esse cenário. "O advento das redes sociais impactou diretamente no reconhecimento da população negra enquanto beleza. O consumidor passou a exigir coisas específicas para ele, e a indústria precisou se movimentar", disse.
Diversidade como DNA da marca
O lema da MAC, "todas as idades, todas as raças, todos os gêneros", é anterior às tendências de mercado, segundo Araujo. "A marca foi lançada com esse lema desde o início, quando falar sobre questões de responsabilidade social nem era bem visto. Isso é cultura, é DNA", explicou. Ela ressaltou que a empresa não apenas amplia o número de cores, mas considera subtom, tipo de pele, cobertura e acabamento para atender às especificidades de cada público.
A MAC é líder no mercado de prestígio de beleza no Brasil, e o país é visto como uma potência cultural. "O Brasil é a bola da vez em termos de cultura, é um caldeirão cultural muito interessante. A MAC sempre caminhou com a cultura pop", afirmou Araujo.
Desafios e pioneirismo
Apesar do preço elevado dos produtos, que limita o acesso das classes mais baixas, a executiva reconhece que a marca abriu caminho para outras empresas. "A MAC não tem o produto mais acessível, mas, quando a pessoa começa a se ver um pouco mais, economiza para comprar. Serviu de pioneirismo e referência para outras marcas", disse.
Sobre a concorrência, Araujo citou a Fenty Beauty, de Rihanna, como exemplo de marca que criou identificação real com o público negro. No entanto, ela alerta que muitas empresas tratam a diversidade como nicho. "O diverso é diverso dentro dos seus grupos. Não é só sobre criar uma cartela com muitos tons. É sobre entender as especificidades desse grupo", concluiu.



