Um novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirma o fim da hegemonia agrícola americana. Pela primeira vez na história, o Brasil e a China superaram os Estados Unidos em termos de produção e exportação de commodities agrícolas. O estudo, divulgado nesta quarta-feira (22), aponta que a soma da produção de soja, milho, algodão e carne dos dois países emergentes ultrapassou a dos EUA em 2025.
Dados do relatório
De acordo com o USDA, o Brasil produziu 154 milhões de toneladas de soja na safra 2024/25, um recorde histórico. A China, por sua vez, atingiu 277 milhões de toneladas de milho, consolidando-se como o maior produtor mundial do grão. Juntos, os dois países responderam por 38% do comércio global de alimentos, contra 32% dos Estados Unidos. “É uma mudança estrutural no mercado global”, afirmou o economista-chefe do USDA, Seth Meyer, em entrevista coletiva.
Impacto nas exportações
O Brasil também se tornou o maior exportador de soja e milho, desbancando os EUA. Em 2025, o país embarcou 98 milhões de toneladas de soja, um aumento de 12% em relação ao ano anterior. A China, embora seja a maior importadora de soja, expandiu suas exportações de carne suína e de frango, superando os Estados Unidos no mercado asiático. “A competição está mais acirrada do que nunca”, disse o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.
Fatores determinantes
Entre os fatores que explicam a perda de hegemonia dos EUA estão o aumento dos custos de produção internos, as mudanças climáticas que afetaram as safras americanas e a expansão da fronteira agrícola brasileira. O USDA estima que o Brasil ainda tem 50 milhões de hectares disponíveis para cultivo sem desmatar a Amazônia. Além disso, a China investiu pesadamente em tecnologia agrícola e na compra de terras no exterior.
Reações do governo americano
O secretário de Agricultura dos EUA, Tom Vilsack, reconheceu o novo cenário, mas defendeu que o país ainda lidera em produtividade por hectare. “Não estamos perdendo a corrida, estamos apenas vendo outros países se desenvolverem”, declarou. No entanto, o relatório projeta que a participação dos EUA no mercado global de grãos deve cair de 25% em 2020 para 18% em 2030.



