A participação do modal ferroviário no transporte de cargas no Brasil é de apenas 20%, ou seja, uma em cada cinco toneladas circula sobre trilhos. Esse índice contrasta com o potencial do setor, capaz de reduzir custos logísticos em até 40% em comparação com o transporte rodoviário. Contudo, a malha ferroviária nacional está estagnada há mais de duas décadas, com aproximadamente 12 mil km em operação.
Investimentos e novas concessões
Para reverter esse cenário, o governo federal prevê R$ 127 bilhões em novas concessões ferroviárias. Os recursos devem ser aplicados em projetos estratégicos que visam ampliar a capacidade de escoamento, especialmente para o agronegócio. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já sinalizou apoio com financiamentos significativos para as iniciativas.
Principais projetos em andamento
Entre os empreendimentos destacados está a Ferrovia do Mato Grosso (FMT), cuja primeira etapa tem obras em andamento partindo de Rondonópolis (MT). Outro projeto de grande porte é o Corredor Leste-Oeste, que deve conectar áreas produtoras a portos no Nordeste. A Ferrogrão, planejada para ligar Sinop (MT) a Miritituba (PA), também integra o pacote de concessões.
Impacto na competitividade
A expansão da malha ferroviária é vista como essencial para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. Hoje, o predomínio do modal rodoviário encarece o frete e reduz a margem dos exportadores. Com ferrovias, é possível transportar grandes volumes a custos mais baixos e com menor emissão de poluentes.
Desafios e perspectivas
Apesar dos investimentos previstos, especialistas apontam entraves burocráticos e ambientais que podem atrasar as obras. O governo, por sua vez, afirma que as concessões seguirão modelos inovadores para atrair capital privado. O sucesso dos projetos dependerá da integração entre os diferentes modais e da modernização da infraestrutura existente.



